Já reparou como um comentário negativo pode ficar martelando na cabeça por meses, enquanto elogios passam quase despercebidos? Esse comportamento é comum e tem explicação científica. Segundo a psicóloga Denise Milk, o cérebro é programado para priorizar riscos: a crítica ativa mecanismos de alerta ligados à rejeição e à preservação da imagem pessoal, enquanto o elogio não gera o mesmo impacto emocional.
Durante a evolução, identificar falhas e ameaças foi essencial para a sobrevivência. Por isso, estímulos negativos recebem atenção imediata e costumam ser interpretados como risco social ou falha pessoal. Já o elogio transmite segurança e, por não exigir resposta urgente, tende a ser processado de forma mais superficial e menos duradoura na memória.
A memória também reforça situações que causam desconforto emocional. Diante de uma crítica, a mente revisita o episódio repetidas vezes, analisando palavras, tom e contexto para evitar que se repita. Esse processo fortalece a lembrança negativa. O elogio, por não gerar dúvida ou ameaça, raramente é reavaliado e acaba perdendo força.
A autoestima influencia diretamente essa percepção. Pessoas com autoestima fragilizada tendem a desconfiar de elogios e a considerar críticas como confirmações de inseguranças antigas. Além disso, vivências passadas marcadas por cobranças e julgamentos criam uma “memória emocional”, fazendo com que críticas atuais despertem reações mais intensas do que o contexto justificaria.
Especialistas alertam que é normal se incomodar com críticas ocasionalmente. O problema surge quando isso afeta o dia a dia, gera medo excessivo de errar, ruminação constante ou queda prolongada da autoestima. Nesses casos, a terapia pode ajudar a identificar padrões de pensamento e diferenciar críticas construtivas de julgamentos pessoais.
“É preciso atenção quando a crítica causa sofrimento intenso e impacto no humor por dias ou semanas, podendo indicar ansiedade, depressão ou outro transtorno que merece acompanhamento”, afirma a psiquiatra Jessica Martani.
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