Ney Lopes
O recente encontro entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro e o presidente americano Donald Trump teve inegável valor político e simbólico.
Produziu uma foto, que vale ouro para o bolsonarismo. Trump entregou a Flávio um símbolo, não um gesto.
E símbolo, em pré-campanha, tem valor.
Mas, exceto entre os eleitores mais fieis, o público rejeita a ideia de dependência dos EUA, confundindo prestígio com submissão.
Trump não faz movimentos gratuitos. Ao receber Flávio, reforçou sua narrativa de líder global da direita, mostruário que atrai o eleitor republicano.
Nenhum gesto concreto, que pudesse reforçar a candidatura do senador.
Apenas o necessário para manter aliados ideológicos orbitando na sua influência. Usou o Brasil como vitrine para sua própria disputa nos Estados Unidos.
A audiência expôs também o pragmatismo de Trump, que joga em “duas frentes”.
Há pouco tempo recebia Lula para um longo almoço de três horas. Agora, “ternura” a oposição de direita. No saldo final desse jogo duplo, Flávio ficou com o simbolismo da foto; Lula, com as honras do palácio.
Para Trump, o encontro foi útil.
Mostra ao eleitor republicano, que sua influência ultrapassa fronteiras, que líderes conservadores o procuram e ele é o “padrinho” de uma internacional da direita.
Além disso, persiste a preocupação dominante de que Flávio Bolsonaro apresente explicações politicamente convincentes sobre o chamado “envolvimento com Vercaro”, uma nuvem carregada que paira na sua cabeça.
Vale mais do que gestos diplomáticos ou fotografias em Washington.
Uso da simbologia da amizade
No Brasil, a VEJA destacou a gafe de Flávio ao confundir Lula com Trump.
O “Globo” chamou a estratégia de arriscada. “Metrópoles” publicou que a foto foi “presente para Lula”.
A mídia americana considerou o encontro exposição política positiva para Trump reforçar sua imagem de líder da direita global.
A conclusão é que Trump não recebeu Flávio Bolsonaro por acaso.
Foi cálculo. Não houve compromisso formal, não houve promessa.
O episódio revelou que Trump usou a simbologia da amizade como ferramenta eleitoral.
Houve simbolismo de ocasião.
Para a base bolsonarista, é prestígio.
Para Lula, é munição.
Para Trump, foi apenas mais um palco para uso político interno.
No final, o Brasil tornou-se um figurante no teatro eleitoral norte-americano.
Curtinhas
Filme
Rebel Ridge- NETFLIX - Um ex-fuzileiro enfrenta a corrupção em uma cidadezinha depois que policiais locais apreendem o dinheiro da fiança de seu primo injustamente.
Frase
"O dinheiro não apenas compra o voto do cidadão, mas também corrompe a mente do governante." — Platão
Dormir muito: riscos
Estudos científicos mostram que dormir mais de 9 horas proporciona maior possibilidade de demência. E menos de seis horas está relacionado a um envelhecimento precoce de todo o organismo.
Temor de Caiado
Lula quer apressar a aprovação no Congresso da PEC da Segurança Pública, que altera as atribuições dos municípios, Estados e da União para fortalecer o combate ao crime. O temor do PT é se a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência se fortalecer e a opinião pública conhecer a mensagem forte e direta dele, na prioridade a segurança pública e proteção dos cidadãos.
Pesquisas à vista
Duas novas pesquisas eleitorais previstas para os próximos dias irão medir pela primeira vez o impacto político do escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro. Os levantamentos são dos institutos Meio/Ideia e PoderData.
Opinião de um Jurista
O Jurista e professor da FGV Oscar Vilhena defende em entrevista ao Estado código de conduta no Supremo, critica excesso de decisões individuais e propõe mudanças no CNJ para reforçar mecanismos de controle.