Padre
João Medeiros Filho
Em decreto de 18/06/2026, o Dicastério para as Causas dos Santos reconheceu as virtudes heroicas de Padre Júlio Emílio Alberto De Lombaerde, mais
conhecido como Padre Júlio Maria, declarando-o Venerável. Ele,
Missionário da Sagrada Família, foi pároco de São Pedro (Natal/RN), segunda
freguesia a ser criada na capital potiguar. Destacou-se por um fecundo apostolado.
Devoto da Mãe de Cristo, apôs Maria a seu prenome. Entre os feitos do seu paroquiato
natalense, consagrou Natal a São Pedro (resultando desse ato o ponto
facultativo do dia 29/06), erigiu a torre da matriz e fez colocar no zimbório
do templo a imagem do padroeiro, uma obra artística de Hostílio Dantas, sobrinho do latinista Cônego Estevão Dantas. O referido
artista idealizou também o busto de Padre João Maria, que adorna uma praça no
centro de Natal.
Convém lembrar
que, no século XX, além do ínclito Venerável, nossa capital foi marcada pelo
apostolado de abnegados Missionários da Sagrada Família e quatro sacerdotes europeus.
O belga Tiago Theisen – declarado oficialmente Patrono da Educação Infantil do
RN – evangelizou a zona norte natalense. O holandês Pio Hensgens, sacerdote
redentorista, foi o apóstolo da zona sul. O zeloso Agustin Catalayud, jesuíta
espanhol, hoje emérito, cuidou da Cidade da Esperança. O quarto presbítero foi Sabino
Gentile, italiano e religioso salesiano, posteriormente padre secular de nossa arquidiocese. Marcou espiritualmente o bairro de Mãe
Luiza. Tais sacerdotes viveram a recomendação do Mestre: “Ide pelo mundo
inteiro, proclamai o Evangelho (Mc 16, 15).
De
1926 a 1928, Padre Júlio Maria administrou a paróquia de São Pedro, que
abrangia os bairros nascentes da capital. Cabe exaltar o ardor apostólico dos Missionários
da Sagrada Família, atuando no RN, desde 1912. Cuidaram de várias paróquias em nossa
arquidiocese: São Pedro e São Sebastião (Alecrim), Bom Jesus (Ribeira), Sagrada
Família (Rocas), assistindo também Extremoz e São Gonçalo. Sua atividade sacerdotal
não se restringiu a nosso arcebispado. Seu apostolado foi rico e edificante na diocese
de Caicó. Ali, Padres José Biesinger, Estanislau Piechel e outros exerceram com
dedicação, durante anos, a missão sacerdotal na Paróquia de Sant’Ana, como
vigários paroquiais de Monsenhor Walfredo Gurgel e párocos de Jardim do Seridó,
Serra Negra do Norte, Jucurutu e Florânia. Padre Estanislau desenvolveu no
Seridó a apicultura e a extração de minérios, especialmente scheelita. A diocese de Mossoró também contou com a
colaboração dos religiosos da Sagrada Família em Martins, Alexandria e
Patu (onde dirigem o Santuário do Lima).
Tive a graça de conhecer a casa onde nasceu Júlio De Lombaerde,
em Beveren-Leie (hoje Waregem), na diocese de Bruges, quando de minha
permanência na Bélgica. Seus familiares orgulhavam-se de sua evangelização no
Brasil. Por duas vezes, ele esteve no Rio Grande do Norte, em 1912-1913 e de 1926
a1928, quando foi transferido para Manhumirim (MG). Ali, fundou o jornal
“Lutador” (atualmente circulando como revista) e deixou centenas de publicações
de teologia, espiritualidade, apologética, mariologia etc. Legou à Igreja duas congregações
religiosas com o carisma de divulgar a devoção eucarística. Faleceu com fama de
santidade, em 24/12/1944, num acidente automobilístico, no município de Vargem
Grande (MG), posteriormente denominado Padre Júlio Maria. “Servo fiel, vem
para a alegria de teu Senhor” (Mt 25, 21).