Uma transação milionária envolvendo uma Ferrari de modelo único no Brasil virou alvo de investigação policial em São Paulo após acusações de falta de pagamento pelo proprietário original do veículo. O empresário Leonardo Rodrigues afirma que foi vítima de um golpe e que recebeu cheques sem fundo e um relógio falsificado pelo carro, avaliado em R$ 4 milhões.
De acordo com o advogado Clóvis Ferreira de Araújo, que representa Leonardo, a negociação aconteceu por meio de um intermediário, Carlos Eduardo Barbosa, em nome de Boris Maciel Padilha – conhecido empresário do mercado de luxo em Santa Catarina. Ele afirma que Carlos procurou Leonardo no ano passado com uma proposta: em troca do carro, pagaria um relógio Richard Mille, de aproximadamente R$ 2,5 milhões, e três cheques de R$ 600 mil.
Segundo a defesa, Leonardo aceitou as condições e entregou o veículo confiando no intermediário, com quem mantinha relação de convivência social há mais de uma década. Ele afirma que nunca teve contato direto com Boris. Posteriormente, Carlos admitiu à polícia que participou da negociação porque tinha dívidas com Boris e confessou que sabia que os relógios eram falsos e que os cheques não tinham fundos.
Procurado, o advogado Rafael Maluf, que representa Boris Padilha, sustentou que a negociação da Ferrari aconteceu diretamente com Leonardo Rodrigues e não teve "qualquer intercorrência". Segundo ele, os cheques sem fundos e o relógio falsificado "são referentes a uma transação comercial antecedente realizada exclusivamente entre o Sr. Carlos Barbosa e o Sr. Leonardo V. Rodrigues, sem qualquer vinculação ou interferência com o Sr. Boris".
As suspeitas começaram logo após a conclusão do negócio. De acordo com o advogado, o relógio foi levado a um avaliador especializado, que atestou que a peça era falsificada. Além disso, os três cheques apresentados como parte do pagamento foram devolvidos por falta de fundos.
O caso foi levado à Polícia Civil em novembro, depois que Leonardo tentou, sem sucesso, reaver o carro com o intermediário. Um inquérito foi instaurado pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) para apurar o ocorrido. A polícia também solicitou informações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentações financeiras ligadas ao investigado.
Durante as investigações, ainda segundo a defesa de Leonardo, Boris apresentou versões divergentes sobre o pagamento. Em um primeiro momento, disse que entregou determinados relógios ao intermediário para repasse ao proprietário do veículo. Posteriormente, por meio de seu advogado, teria apresentado uma relação diferente de itens.
Paralelamente à investigação criminal, Leonardo ingressou com uma ação judicial na esfera cível e conseguiu uma decisão favorável que bloqueou o veículo junto ao Detran, impedindo qualquer transferência de propriedade enquanto não houver comprovação do pagamento.
Apesar de permanecer registrado em nome de Leonardo, o carro está sob posse de Boris para "guarda e conservação", conforme decisão judicial. A defesa do proprietário afirma, porém, que reuniu provas de que o veículo tem sido utilizado pelo empresário catarinense e que já foi emprestado a terceiros em algumas ocasiões, descumprindo a determinação.
A Ferrari em disputa é considerada rara, sendo um modelo SF90 Stradale Assetto Fiorano, apontado como único com essas especificações no Brasil, fator que eleva seu valor e exclusividade no mercado.
Defesa de acusado diz que transação aconteceu "sem qualquer intercorrência"
O Sr. Boris Padilha é um empresário que atua no mercado de bens de luxo há mais de 30 anos, e sempre agiu de maneira absolutamente séria e honesta ao longo de sua vida pessoal e profissional, sem qualquer mácula que o desabone.
Sobre os fatos envolvendo o veículo Ferrari SF90, o Sr. Boris o adquiriu regularmente, sendo a tratativa de transferência realizada diretamente com o Sr. Leonardo Vasconcelos Rodrigues, sem qualquer intercorrência.
Importante registrar que os cheques sem provisão de fundos e um relógio contrafeito da marca Richard Mille são referentes a uma transação comercial antecedente realizada exclusivamente entre o Sr. Carlos Barbosa e o Sr. Leonardo V. Rodrigues, sem qualquer vinculação ou interferência com o Sr. Boris.
Quase 6 meses depois da entrega e transferência da Ferrari SF90, o Sr. Leonardo Vasconcelos Rodrigues alegou ter sido vítima de determinado crime cometido pelo Sr. Carlos Barbosa, pleiteando o aludido veículo.
Após o pormenorizado esclarecimento dos fatos, a Justiça determinou, mediante concordância do Ministério Público, o depósito da Ferrari SF90 ao Sr. Boris, na qualidade de terceiro de boa-fé.
Por fim, o Sr. Boris lamenta muito o ocorrido, uma vez que tomou todas as cautelas necessárias para a realização e concretização da compra da Ferrari SF90, em especial com a anuência e plena concordância do Sr. Leonardo V. Rodrigues para a regular transferência do veículo perante o Departamento Estadual de Trânsito – DETRAN.
G1