No dia 20 de janeiro,
celebra-se a festa do mártir São Sebastião. Nas décadas de 1860 e 1870, após a
Guerra do Paraguai, um surto de “colera morbus” grassou por vários estados do
Brasil. Em decorrência disso, os habitantes da paróquia de Jucurutu fizeram uma
promessa: “Se a população não fosse dizimada pela epidemia, pediriam ao bispo
para o orago da paróquia ser São Sebastião, ficando, à época, São Miguel como
co-patrono”. O arcanjo era uma devoção dos jesuítas, que fundaram o aldeamento,
cerca de doze léguas, ao sul da Vila do Assú, conforme informações de Serafim
Leite, em sua História da Companhia de Jesus. A mudança ocorreu quando Dom
Vital Maria Gonçalves de Oliveira, então bispo de Olinda, encontrava-se na
prisão, vítima da “Questão Religiosa”. Governava o bispado Padre Sebastião Constantino de Medeiros,
oriundo do Sítio Umari, município de Caicó. Posteriormente, esse ilustre
sacerdote entrou para a Companhia de Jesus, terminando seus dias em Roma, onde
foi professor na Pontifícia Universidade Gregoriana. Sou devotíssimo do santo
mártir. Fui batizado, crismado, recebi a primeira Eucaristia e ordenado
presbítero na matriz a ele dedicado, situado em minha terra natal.
São Sebastião é muito cultuado no Ocidente, inclusive no Brasil.
Nasceu em Narbona (sudoeste da França), provavelmente no ano de 256 e, pouco
depois, seguiu com os pais para Milão. Ali, cresceu na fé cristã, tornando-se
também um respeitado capitão da guarda do imperador romano. À época, não havia
liberdade religiosa. Os cristãos eram perseguidos, presos e martirizados. As
autoridades não sabiam que Sebastião era um deles. Como tal, conseguiu
ajudar muitos prisioneiros, doando roupas, alimentos e animando-os a perseverarem
na fé. Converteu ao catolicismo vários detentos. Possuía poderes miraculosos.
Seus biógrafos descrevem o caso da cura de uma mulher deficiente auditiva.
Vários milagres foram realizados por sua intercessão, mormente quando pestes e calamidades atingiam as
cidades da Europa medieval. Com a sua proteção populações inteiras foram
poupadas ou salvas de enfermidades.
Ao descobrirem que Sebastião era cristão,
amarraram-no a uma árvore, feriram-no com flechas e o abandonaram. Sobreviveu
aos ferimentos. Santa Irene cuidou dele até ficar curado. Após recobrar a
saúde, retornou às ações de caridade, tendo sido novamente preso. Desta
vez, o imperador decretou o seu martírio. É exemplo de perseverança e
coragem, diante dos obstáculos e provações da vida. Devemos ressaltar seu
empenho em fazer o bem anonimamente, aproveitando as circunstâncias para semear
alegria, consolo e ânimo junto ao próximo. Tinha consciência de que, uma vez
descoberta a sua crença religiosa, ele seria martirizado. Sua autenticidade e capacidade de servir são notáveis e
devem ser imitadas.
A história mostra-nos que a
devoção ao Santo de Narbona está presente em muitas localidades de nosso país.
Ao longo dos séculos, é invocado contra a peste, a fome e a guerra. Quando
surgiam epidemias e catástrofes, crescia o seu culto. Na zona rural brasileira,
foram muitos os votos ao santo mártir, pedindo-lhe proteção contra as secas,
que assolam o Nordeste, ao longo dos anos. Santo Ambrósio, bispo de Milão,
tecia elogios sobre esse oficial do exército romano. No seu túmulo, em Roma,
ergueu-se uma basílica, perpetuando seu heroismo e memória. Sua morte
deu-se entre 284 e 303, sendo imperador Diocleciano, o qual perseguiu muitos
cristãos e sacrificou vários mártires do catolicismo. Sua figura, crivada de
flechas, foi imortalizada pelos artistas renascentistas. É esta a imagem que
possuímos na iconografia do catolicismo ocidental.
São Sebastião é um santo da
atualidade. Devemos pedir-lhe ajuda contra a violência cotidiana que faz
vítimas indefesas e inocentes. Necessita ser invocado contra a peste hodierna
das drogas, ceifando vidas. Nos dias atuais, supliquemos sua proteção contra as
perseguições aos cristãos de vários Paises. Urge, pois, pedir sua intercessão contra
outros males: mentiras, injustiças, ódio, corrupção, radicalismo, desonestidade
intellectual, narrativas e tantos que assolam atualmente a nossa pátria. São
Sebastião afirmou, com muita convicção, ao ser interrogado pelo
imperador:
“Antes de ser oficial do Império Romano, sou filho de Deus e soldado de Cristo.
Tais palavras retratam sua personalidade, coragem e fé. Legou-nos preciosos ensinamentos e valores fundamentais.
Por seu testemunho e martírio, faz-nos recordar as palavras do apóstolo Paulo:
“Para mim o viver é Cristo.” (Fl 1, 21).
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