Ney Lopes
Sobre a prisão do presidente Maduro e esposa, “capturá-lo pode ter sido a parte fácil. O desafio maior é como reconstruir este país”
Não se pode negar que Maduro presidiu uma camarilha corrupta, apoiada pelo exército, que ainda está no poder.
Porém, o mundo funciona melhor quando a “ordem internacional é baseada em regras”, em vez da lei da selva de Tucídides, descrita há 2 500 anos, que diz: “Os fortes fazem o que podem, e os fracos sofrem o que devem”.
A frase significa que a força dita as regras e os mais fracos são forçados a aceitar seu destino, sem apelo à justiça ou moralidade.
Invadir países para prender um inimigo é aplicar a “realpolitik”, teoria alemã, que prioriza interesses nacionais, poder e resultados práticos sobre ideologias, moralidade ou ética, priorizando o que "funciona" na realidade, em vez do que "deveria" ser.
Essa é a linha de Putin, que tem uma visão pragmática e realista do cenário internacional, onde ocorre a competição de "hard power" (poder militar e econômico).
Putanização
Na prática, o governo Trump seguiu a tese da “putanização” de Putin, que em 24 de fevereiro de 2022, anunciou operação militar especial", supostamente para "desmilitarizar" e "desnazificar" a Ucrânia e minutos depois, até hoje, mísseis atingiram locais em todo o território ucraniano, incluindo Kiev, a capital.
Esse não é um precedente para ser seguido, embora neste caso da Venezuela reconheça que não havia outra saída. O estranho foram as palavras de Trump, após a detenção de Maduro, enfatizando claramente, sem meias palavras, o interesse em apossar-se do petróleo venezuelano
Alternativas para Trump
Trump poderia ter tentado justificar legalmente a sua presença, alegando que apoiaria a posse do legítimo presidente da Venezuela, Edmundo González, vencedor da eleição de 2024.
Os Estados Unidos, mesmo sob a presidência de Joe Biden, reconheceram González como o verdadeiro presidente eleito da Venezuela, então isso poderia ter servido de pretexto.
Ao contrário, Trump colocou-se como um “ser supremo” e descartou levianamente até a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz e líder da oposição, María Corina Machado, alegando falta de apoio.
Ele não mencionou sequer novas eleições.
Proposta das oposições
Muito mais sensato, teria sido aderir a sugestão das oposições venezuelanas, de que a produção seria “totalmente impulsionada pelo setor privado”, os ativos da estatal petrolífera Petróleos de Venezuela (PDVSA) seriam leiloados e os investidores seriam protegidos por novos contratos, bem como por arbitragem internacional e supervisão do FMI e do Banco Mundial.
Na verdade, Trump mostrou-se descrente das forças democráticas representadas por González e por María Corina Machado e afirmou: "Vamos governar o país".
Foi mais adiante, com a declaração descarada, de que as companhias petrolíferas americanas "entrariam" e assumiriam o controle da indústria do petróleo
Ele pareceu menos interessado na democracia e nos direitos humanos na Venezuela, do que em obter o controle americano sobre o petróleo venezuelano.
Os Estados Unidos aprenderam, nas últimas décadas, os perigos de derrubar tiranos sem um plano para o período posterior.
Tudo indica que repetiram o mesmo erro.
Ao prosseguir com sua agenda "América Primeiro", um Trump arrogante parece não se preocupar com as consequências.
O futuro dirá quem está certo.
Curtinhas
Filme
“O poder e a lei” – Prime Vídeo - Um advogado diferente, a começar pelo seu local de trabalho devidamente instalado no banco de trás de seu carro, um automóvel modelo Lincoln. Um dia um caso importante caiu em suas mãos e ele estava disposto a provar a inocência do réu, um jovem milionário acusado de assassinato. Só que ele não imaginava seu cliente escondendo a verdade.
Frase
“Que cada dia do novo ano seja uma chance de fazer diferente e melhor”
Sucesso da professora Nilda
A professora Nilda, prefeita de Parnamirim, recebeu o carinho da população na entrada do Ano Novo, com a entrega de obras no município. Ela ficou, no sol quente, de plantão, na entrada da praia de Pirangi, para saudar conterrâneos e turistas. Realmente uma administração que promete. Foi aplaudida.
NY com prefeito muçulmano
O jovem político, socialista e muçulmano, Zohran Mamdani, prefeito de Nova York, faz história ao ser o primeiro a prestar juramento de posse como prefeito da cidade do 11 de setembro sobre um Alcorão. A sua meta é a melhoria do sistema de ônibus, vergonhosamente lento, o ponto central de sua campanha eleitoral. Seu lema: tornar os ônibus rápidos e gratuitos.

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