Dom Heitor de Araújo Sales - 4º Bispo Diocesano de Caicó
Por Padre João Medeiros Filho
Hoje, comemora-se o nonagésimo nono aniversário de Dom
Heitor de Araújo Sales, quarto bispo diocesano de Caicó e quarto arcebispo
metropolitano de Natal. Conta com quarenta e sete anos de episcopado e setenta
e cinco de vida sacerdotal. Além do exercício do ministério presbiteral, Dom
Heitor distinguiu-se como professor no Seminário de São Pedro de Natal (onde
fui seu aluno), na Escola de Serviço Social e na Universidade Federal do Rio
Grande do Norte. Desta, foi o primeiro docente com o título acadêmico e formal
de doutor, tendo ministrado aulas no Campus de Natal e no Centro de Ensino
Superior do Seridó, em Caicó. Nesta cidade, lecionou, acumulando com as funções
de bispo. Vários líderes de poder decisório, integrantes do legislativo,
executivo e jurídico receberam dele preciosas lições acadêmicas e religiosas.
O
ilustre aniversariante destaca-se por sua erudição teológica e canônica,
incluindo conhecimentos idiomáticos em italiano, alemão, inglês e espanhol.
Como a maioria dos eclesiásticos de outrora, lê e traduz latim, grego e
hebraico. Dom Heitor lembra as palavras do Cardeal Emmanuel Suhard, arcebispo
de Paris, em sua magistral obra Deus, Igreja, Sacerdócio: “O padre deve ser
santo, mas também sábio. A santidade e a sabedoria são qualidades
essenciais do sacerdote, pois ele atua como intermediário entre o divino e o
humano, guiando o povo de Deus na vivência da fé e do Evangelho.”
O eminente homenageado marcou o bispado seridoense, tendo
sido excelente administrador e um pastor dedicado e incansável. Ali chegando,
encontrou apenas treze presbíteros seculares. Cuidou da formação sacerdotal,
reabrindo o seminário menor, que passou a funcionar em novas instalações. Quando
foi transferido para o arcebispado de Natal, tinha acrescido o clero caicoense com
mais dez padres. Fez construir a nova residência episcopal e o Centro Dom
Wagner, onde funcionam os órgãos e setores diocesanos. Trouxe para a sede episcopal,
após a edificação do mosteiro, as monjas clarissas, que lá permanecem até os
dias atuais. É relevante para a história da Província Eclesiástica do RN a
restauração por ele do diaconato permanente. Pensou numa melhor catequese e
evangelização. A ação pastoral de Dom Heitor reflete as palavras do salmista: “O zelo de tua casa me devorou” (Sl 69/68, 10).
Em Natal, como arcebispo metropolitano, cuidou de
organizar a circunscrição eclesiástica para a qual foi designado pelo Papa João
Paulo II. Uma das ingentes carências materiais da arquidiocese era o sustento
do clero e a manutenção da infraestrutura eclesial. Para sanar tais
dificuldades, organizou o dízimo em todas as paróquias (influenciando inclusive
os bispados sufragâneos de Mossoró e Caicó) com o objetivo de prover as
necessidades financeiras. Como acontecera na sua primeira diocese, providenciou
um plano de saúde para os clérigos. Estendeu a contribuição previdenciária a todos
os ministros ordenados, visando a sua aposentadoria e uma velhice digna. Tinha grande
preocupação com o aprimoramento intelectual dos presbíteros. Enviou seminaristas e sacerdotes para estudar nas instituições
universitárias de Roma. Nesse sentido, empenhou-se para o credenciamento, junto
ao Ministério da Educação, de uma instituição de ensino superior, sediada em
Natal, que detinha o seu nome. Apesar da obtenção de excelentes conceitos na
avaliação do INEP (Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos Professor Anysio
Teixeira), órgão vinculado ao MEC, a faculdade foi alienada. Já emérito, preocupado com a vida contemplativa, ajudou a erigir em
Emaús, o mosteiro das carmelitas, um sonho de Dom Nivaldo Monte.
O
Papa Francisco, ao recebê-lo, no Vaticano, informado de sua idade, aconselhou o
eminente prelado: “Alimente-se e durma bem para chegar aos cem anos.” A
profecia está prestes a se cumprir. Tudo isso seria pouco, se não houvesse nele
um profundo amor às ovelhas que Deus lhe confiou. Dócil, discreto, sereno cordato,
versado na arte de escutar, ponderado e manso no falar, Dom Heitor é reconhecido
como um pastor simples, dedicado, próximo de seu rebanho. Transita em todos os
setores da sociedade potiguar, tratando a todos sem distinção, pois são
“templos do Espírito Santo” (1Cor 6, 19). Seu lema episcopal “Unitate, Pace, Gaudium”
traduz seu pastoreio. Vive o ensinamento do
apóstolo Paulo: “Para todos eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns (1Cor
9,22).
Nenhum comentário:
Postar um comentário