terça-feira, 14 de abril de 2026

ANÁLISE: SALTO HUMANO RUMO A MARTE E FIM DA ERA ORBÁN

 


Ney Lopes

Dois fatos de grande significado científico e político marcaram o último a final de semana: o sucesso da Missão Artemis II, primeira missão tripulada à região lunar em mais de 50 anos e o fim da "era Orbán" na Hungria, a inspiração para grupos políticos conservadores ao redor do mundo

Do ponto de vista científico, a missão Artemis II da NASA,  durou cerca de 10 dias e serviu como base para futuros pousos lunares previstos para 2028.

A chegada da missão Artemis ao Polo Sul lunar foi um marco estratégico, científico e histórico para a humanidade.

O acesso levou a tripulação a enfrentar forças de gravidade, sentindo seus corpos quase quatro vezes mais pesados, enquanto a cápsula chacoalhava violentamente antes da abertura dos paraquedas.

A nave atingiu a distância máxima de 406.771 km da Terra, tornando-se os humanos que mais se afastaram do nosso planeta na história.

Sobrevivência no Polo Sul

O Polo Sul possui crateras em escuridão eterna, onde as temperaturas são baixíssimas.

Acredita-se que essas áreas contenham grandes depósitos de gelo de água preservados há bilhões de anos. Esse gelo pode ser extraído para criar água potável e oxigênio para astronautas, além de poder revelar a origem da água na Terra e a história primordial do nosso sistema solar.

A água pode servir para  fabricar combustível de foguete na própria Lua, transformando-a em um "posto de gasolina" espacial.

Aprender a sobreviver no Polo Sul lunar — enfrentando o frio extremo e longos períodos de sombra — é o ensaio necessário para enviar seres humanos a Marte na década de 2030 ou 2040.

O objetivo é que humanos vivam e trabalhem lá por meses, criando uma economia lunar real

Queda da direita

No último domingo, Viktor Orbán, o Primeiro-Ministro da Hungria, desde 2010, classificou a sua derrota nas eleições parlamentares  como "clara e dolorosa", parabenizando a oposição pela vitória histórica.

O resultado das urnas interrompeu  o ímpeto de um renascimento nacionalista global promovido pelo presidente Trump, tendo sido registrado   comparecimento recorde, próximo a 80% dos eleitores.

Causas da derrota

A queda de Orbán encerra o mandato do líder mais longevo da União Europeia, que liderava uma "autocracia eleitoral”.

A derrota é analisada como consequência  da fragilidade da economia húngara, com baixo crescimento do PIB (0,3% no último ano) e inflação elevada, agravada pelos altos preços de energia decorrentes da guerra na Ucrânia.

Também influíram a percepção pública de corrupção, com escândalos envolvendo familiares de Orbán e um polêmico caso de indulto.  

O último final de semana provou que o amanhã está sendo reescrito, lembrando-nos de que a única constante, tanto na ciência quanto na política, é a inevitabilidade da mudança.

Análise impactos fechamento de Ormuz no Brasil

O bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos no Estreito de Ormuz ontem, 13, causará a maior alta de preços globais e uma grave crise de abastecimento.

Os preços do petróleo já dispararam. O objetivo de Trump é negar ao Irã as receitas necessárias para financiar suas forças armadas.

Mas, poderá deixar países dependentes do petróleo iraniano, como a China, em situação difícil.

O Irã ameaça retaliar contra os portos do Golfo.

O fechamento do Estreito causa interrupções imediatas e significativas para o agronegócio brasileiro, afetando principalmente as importações de fertilizantes e as exportações de proteínas animais e grãos para o Oriente Médio.

O impacto será severo para a região nordeste, devido à dependência logística da região e ao peso das exportações de frutas e proteínas para o mercado árabe.

O Nordeste já vinha registrando  as maiores altas de preços da cesta básica.

A previsão é que os preços dos alimentos na região subam em média 4,6% até o final de 2026, com os reflexos mais pesados no segundo semestre..

Um dos maiores prejudicados é o  polo Petrolina-Juazeiro, por ser um grande exportador de mangas e uvas para o Oriente Médio e Ásia:

O agronegócio brasileiro é afetado nas importações de fertilizantes e as exportações de proteínas animais e grãos.  

O bloqueio forçou o redirecionamento de rotas, aumentou os custos e gerou incertezas no abastecimento.

Cerca de 30% das exportações de frango  passam obrigatoriamente por Ormuz.

A projeção para a inflação pode chegar a 7,66% , o que certamente forçará o Banco Central a interromper cortes na taxa de juros.

Como se vê, o Brasil não será imune aos impactos do bloqueio em Ormuz, pois a via é o canal vital para o nosso agronegócio e o equilíbrio da inflação doméstica.

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