Ney Lopes
Quando na presidência do Parlamento Latino-Americano , em nome da instituição e a pedido dos países membros, participei diretamente de inúmeros eventos e debates, em defesa de um acordo comercial do Mercosul com a Europa e criação da Comunidade Latino-Americana de Nações.
Certa vez, estive no plenário do próprio Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
Após 26 anos de negociações, foi assinado no final de semana, o Acordo de Associação entre o Mercosul e a União Europeia (UE), com o objetivo de ampliar a cooperação entre os dois mercados regionais em três vertentes: política, cooperação e comércio. Sem dúvida, uma grande vitória do multilateralismo, que significa cooperação entre múltiplos países (três ou mais) para resolver problemas globais e alcançar objetivos comuns.
Benefícios
Assim que entrar em vigor, o acordo pode beneficiar diversos setores do agro brasileiro.
O bloco europeu já é o nosso segundo maior cliente, atrás da China e à frente dos Estados Unidos.
É prevista a eliminação das tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul, no valor aproximado de US$ 61 bilhões.
No setor de carnes, o aumento de exportações pode chegar a US$ 6,2 bilhões até 2040.
Com isso, as vendas aumentarão em diversos itens, como café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais, que terão taxas de importação gradualmente zeradas na Europa.
As tarifas serão reduzidas gradualmente, em prazos que podem variar de 4 a 10 anos, a depender do produto.
O barateamento dos produtos importados não será de uma hora para outra. As alíquotas de importação de alguns itens serão reduzidas ao longo de anos.
Nem tudo favorece o Brasil. A maior demanda externa tende a encarecer alimentos no mercado nacional.
A entrada de produtos industriais europeus mais competitivos pode desestimular a produção nacional.
Por isso, o acordo impõe uma urgente política de apoio à indústria nacional. Até 15 anos serão necessários para implantar no país a alíquota de importação zerada, por exemplo, de vinhos, queijos, azeite e chocolate
Demora a vigência
Deve ficar claro, que o acordo não entrará imediatamente em vigor e ainda existem muitas “dúvidas”.
É necessário o aval do Parlamento Europeu e dos Congressos sul-americanos. Há incertezas sobre o aval europeu.
Cerca de 150 eurodeputados (de um total de 720) ameaçam recorrer à Justiça para impedir a aplicação do acordo.
Esses parlamentardes, na maioria da França, Hungria e Polonia, exigem um parecer do Tribunal de Justiça da União Europeia.
Para se ter uma ideia, um acordo de livre-comércio entre União Europeia e Canadá, assinado em 2016, ainda espera a aprovação pelo bloco europeu.
Como se vê, assinar o Acordo é uma vitória. Infelizmente, pode transformar se- numa vitória de Pirro (uma vitória obtida a alto preço, com obstáculos).!
Curtinhas
Filme
Um diplomata – NETFLIX - Um diplomata indiano tenta repatriar uma garota indiana do Paquistão, onde ela foi supostamente forçada e enganada a se casar contra sua vontade. Baseado em fatos reais.
Frase
“Podem te tirar do lugar onde você fazia a diferença. Mas nunca vão te tirar a diferença que você faz em qualquer lugar”.
Dinamarca, aliado fiel dos Estados Unidos (I)
Milhares de dinamarqueses e groenlandeses foram às ruas para protestar contra a anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos, após Donald Trump intensificar a pressão para a anexação da ilha, que faz parte do Reino da Dinamarca. 85% dos groenlandeses se opõem aos planos do presidente americano
Dinamarca, aliado fiel dos Estados Unidos (II)
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a Dinamarca tem sido um dos aliados mais leais de Washington na Europa. Participou das guerras americanas no Iraque e no Afeganistão, onde dezenas de soldados dinamarqueses morreram. Agora, descobre com espanto que a potência que considerava sua protetora e amiga está cogitando usar a força militar contra ela.
Diminui população da China
Os esforços, em grande parte, fracassaram. Pelo quarto ano consecutivo, a China registrou mais mortes do que nascimentos em 2025, com sua taxa de natalidade despencando para um nível recorde, deixando sua população menor e mais idosa.
Davos aguarda Trump
O temor de bolha na inteligência artificial e o agravamento da geopolítica do mundo serão os temais em debate do Fórum Econômico Mundial, que começou ontem, 19, em Davos, na Suíça. Após agredir os países europeus, com a imposição de tarifas por não apoiarem a venda da Groenlândia aos Estados Unidos, Donald Trump é aguardado amanhã no Fórum. A previsão é de “faíscas” no ar. Segundo The Guardian, o Fórum é a chance de abrir caminho para uma nova configuração mundial (Nova Ordem Mundial).
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