sábado, 3 de janeiro de 2026

"CAIU O DITADOR NICOLÁS MADURO

 


                                                          CAIU O DITADOR MADURO!

A tragédia venezuelana não começou com Nicolás Maduro. Ela nasce com a ascensão do chavismo, quando Hugo Chávez transformou um país rico em petróleo em laboratório ideológico. Sob o pretexto de justiça social, dissolveu freios institucionais, aparelhou as Forças Armadas, submeteu o Judiciário e confundiu deliberadamente Estado, partido e governo. A democracia foi esvaziada por dentro, até restar apenas o rito, sem substância.

Os números do desastre são conhecidos e implacáveis. A Venezuela enfrentou uma das maiores hiperinflações da história recente, viu sua produção petrolífera colapsar, empobreceu a classe média e empurrou milhões à fome. Mais de sete milhões de venezuelanos deixaram o país ao longo da última década, numa diáspora que não se explica por “bloqueios”, mas por má gestão, corrupção sistêmica e repressão política. A pobreza extrema avançou; serviços básicos ruíram; a violência tornou-se método de governo.

Com Nicolás Maduro, a tirania perdeu qualquer verniz. O regime passou da demagogia à coerção aberta: eleições desfiguradas, opositores presos ou exilados, censura, uso do medo como instrumento cotidiano. A narrativa resistiu enquanto a força sustentou o edifício. Mas nenhuma mentira é eterna.

Por isso, celebrar a queda do ditador é legítimo. Trata-se de um ponto de inflexão histórico. É uma justiça tardia. Um povo que sobreviveu à fome, ao exílio e ao silêncio imposto tem o direito de respirar.

O essencial, agora, é não repetir os erros. A libertação verdadeira exige transição institucional responsável: restauração do Estado de Direito, garantias mínimas de segurança, recomposição do Judiciário, eleições livres, respeito às liberdades civis e um pacto nacional que rejeite tanto o revanchismo quanto a nostalgia autoritária. A economia precisa de regras estáveis; a política, de limites; a sociedade, de confiança.

A história ensina que a queda de um tirano não basta. Sem instituições, a liberdade se perde; sem justiça, a paz não se sustenta. A Venezuela tem diante de si a tarefa árdua de reconstruir com dignidade, recuperar a legalidade e reconciliar-se consigo mesma.

Que este seja, enfim, o começo do fim de uma noite longa. E que a Venezuela possa reencontrar aquilo que toda nação precisa para viver: verdade, ordem e liberdade."

(Igor Pavan)

Nenhum comentário:

Postar um comentário