Ney Lopes
Não é a primeira vez, nem será a última, em que certos argentinos procuram detratar o Brasil.
Como disse o escritor brasileiro Ronaldo Helal é um certo complexo, pois na verdade os “os argentinos odeiam amar tanto o Brasil”.
A contragosto adoram as praias, idolatram a música e se excedem com a culinária brasileira no intenso turismo para o nosso país.
Nesta semana, o presidente Alberto Fernandez, na sua pose de galã e cantor de tango, deturpou frase do mexicano Octavio Paz, que certa vez escreveu: “mexicanos vieram dos índios, os brasileiros vieram da selva”.
Fernandez acrescentou: “nós, os argentinos, chegamos em barcos. Eram barcos que vinham da Europa”.
Em 2018, o então presidente da Argentina, Mauricio Macri, durante o Fórum Econômico Europeu considerou que a associação do seu país com a União Europeia era natural pôr os argentinos descendiam de europeus.
Verdadeira mania de grandeza, através do racismo e do preconceito de raça.
Em verdade, os argentinos se consideram europeus e chamam os brasileiros de “negros” e escravos.
Entretanto, um censo feito em 1778 constatou que quase metade dos argentinos tinha origem africana, pois o país também recorreu ao tráfico de africanos, tendo sido um dos primeiros comércios do Porto de Buenos Aires, explica o historiador Felipe Pigna..
Antes da chegada dos primeiros europeus, no século XVI, o país já era habitado e tinha considerável população de indígenas.
Na primeira metade do século XIX, os descendentes dos 70 mil escravos que haviam sido trazidos ao país representavam um terço da população de Buenos Aires.
A jornalista Monica Yanakiew em primoroso texto, se refere a presença dos negros na Argentina, que foi marcante, até mesmo no tango, um orgulho nacional, cuja origem é falsamente atribuída em geral aos imigrantes europeus.
Os pioneiros do tango eram negros, como o compositor e pianista Anselmo Rosendo Mendizábal, autor do tango El Entrerriano (1897).
Os negros também fundaram jornais, como La Raza Africana, (1858) Além disso, é negra uma das principais heroínas da história do país: María Remedios del Valle, chamada nos livros de “mãe da pátria argentina”.
A cantora Laura Omega tem um acentuado sotaque portenho e descende de famílias argentinas muito antigas.
Ela tem pele negra, lábios fartos e cabelos longos e encaracolados. Ao cantar é interpelada por argentinos para saber de que país ela veio, quase sempre a acusam jocosamente de mulata brasileira.
Matéria do “El País” comenta que na Argentina apelidos racistas fazem parte do cotidiano, como se referir a quem tem pele morena ou cabelos escuros costuma de “el negro ou la negra”.
Expressões depreciativas existem, como “cabecita negra”, usada para se referir a negros e descendentes de indígenas.
As declarações racistas e preconceituosas do presidente da Argentina em nada atingem o Brasil.
Ao contrário, engrandecem as nossas origens com a presença negra e indígena, cuja contribuição à construção do país foi inestimável e valorosa, sendo, por isso, orgulho nacional.
Espera-se que Fernández considere os descendentes africanos e indígenas como partes da nação, que construíram.
Eles não são apenas estrangeiros, que lá vivem, por um favor do governo.
Quanto ao Brasil, o maior favor de Fernández será nos esquecer, até que termine o seu desastroso governo, cultivador do racismo.
Até o Papa Francisco fez piada com a fama de prepotentes dos argentinos, ao repetir o ditado popular:
"Qual é o melhor negócio? Comprar um argentino pelo que ele vale e vendê-lo pelo que ele acha que vale".
