Pe. Francisco Canindé dos Santos
Por: Gregório Celso Macêdo
Na noite de ontem, 31 de outubro de
2026, às vésperas da Solenidade de Todos os Santos, no Assú/RN, entregou a alma
a Deus o Pe. Francisco Canindé dos Santos. Filho de Joaquim Martins dos Santos
e Cecília Monteiro dos Santos, nasceu a 05 de julho de 1937, no sítio Pelo
Sinal, sertão do Cabugi, zona rural de Angicos, estado do Rio Grande do Norte.
Sentindo despertar em seu coração a
vocação sacerdotal, matriculou-se no Seminário Santa Terezinha, em Mossoró, no
ano de 1951. Estudou, em seguida, na capital da Paraíba, em Fortaleza (CE) e
Olinda (PE). Foi ordenado em Mossoró, no dia 29 de junho de 1965, pelas
respeitáveis mãos de Dom Gentil Diniz Barreto.
Chegou ao Assú no dia 03 de janeiro
de 1966, para auxiliar o Padre Militino Leite da Cunha. Em 1968, foi nomeado
pároco. À época, a Paróquia de São João Batista abrangia a extensão atualmente
correspondente aos municípios do Assú, Carnaubais e Porto do Mangue e, ainda,
oficialmente, uma porção da zona rural de Jucurutu.
Padre Canindé foi um pastor zeloso,
e além das mais de cinquenta comunidades que compunham a paróquia sob sua
responsabilidade, chegou a assistir locais situados nos então municípios de São
Rafael, Upanema e Ipanguaçu, inclusive, neste último, o distrito de Pataxó.
Apresentou grande destaque no campo
do ensino. Já a partir de 1967, tornou-se, por décadas, a principal figura do
Instituto Padre Ibiapina (IPI), onde foi professor, diretor e assistente
eclesiástico. Com muita bravura e firmeza, dando continuidade à obra do Padre
Hélio Ferreira Alves, fez da referida escola um estabelecimento modelo,
equiparável aos congêneres da rede privada, fato que se comprovava pela
organização, elevado nível dos professores e desempenho dos seus alunos,
que colhiam honrosos frutos nos mais concorridos certames da época.
A escola chegou a ter mais de dois mil
alunos, do ensino infantil até o que é hoje equivalente ao ensino médio. Os resultados
positivos do Instituto Padre Ibiapina não eram colhidos somente por assuenses,
mas contemplavam alunos de outros municípios da região.
Foi diretor do Ginásio Pedro Amorim
e professor da instituição de ensino superior atualmente denominada
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), deixando de se tornar
professor efetivo desta universidade, para não interferir nas suas atividades
pastorais. Ou seja, preferiu a assistência espiritual do seu povo à comodidade
financeira pessoal!
Inteligente e visionário, foi um
baluarte no sonho, na instalação e no funcionamento da Rádio Princesa do Vale.
Neste veículo radiofônico deu grandes provas da sua capacidade de comunicador,
dele se valendo como eficaz instrumento de evangelização.
Coerente com a Doutrina Social da
Igreja – no sentido mais genuíno da expressão, ou seja, em favor da
sociedade, à época da construção da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, foi
um ícone em defesa dos mais humildes e em defesa das atividades agropecuárias
da região. Por ser apoio, foram diminuídos os problemas da população
diretamente atingida pela construção do reservatório. No mesmo caso, também
ajudou os proprietários rurais que se uniram para evitar a desapropriação de
milhares de hectares por valores irrisórios – o que impactaria negativamente a
economia local.
Estando o Seminário de Mossoró sem
funcionamento, entre 1978 e 1983, ele criou no Assú o Centro Vocacional – o que
frutificou em várias vocações e foi elemento essencial na reabertura do
referido seminário diocesano.
Foi figura de expressão no
movimento que repercutiu em todo o estado, buscando a elucidação do terrível
assassinato de uma criança, chamada Elizete Moura Lemos, na zona de rural de
Ipanguaçu, RN, nos idos de 1996.
Decorrido o tempo, com alguns
problemas de saúde, foi substituído na missão pároco de São João Batista, sendo,
entretanto, nomeado colaborador pastoral, por provisão datada de 05 de julho de
2012.
Há vários anos sofria de muitos
padecimentos físicos, contudo cercado do carinho e do reconhecimento dos seus
filhos espirituais, sentimentos dos quais era legítimo merecedor.
Homem de têmpera forte, suportou os
inevitáveis percalços do caminho (perseguições e incompreensões), mas se
manteve firme à luz das suas convicções religiosas, com um desprendimento
material a toda prova.
Em certa ocasião, com a igreja matriz
lotada, quando esperavam dele um longo pronunciamento, apenas proferiu a
seguinte frase: “Nasci pobre, vivi pobre e morrerei pobre!”. De fato,
faleceu materialmente pobre, porém rico da gratidão e do amor do rebanho do
qual foi pastor e modelo por mais de sessenta anos.
Foi sepultado a 01 de novembro de
2026, na capela (inacabada) de Nossa Senhora das Graças, encravada em imóvel de
posse e propriedade da Paróquia de São João Batista do Assú, no mesmo local
onde, outrora, funcionou o mencionado Instituto Padre Ibiapina.
Que a sua alma descanse em paz – será o brado eterno do povo do
Assú e da região, como expressão imorredoura de apreço e admiração ao seu inesquecível
Padre Canindé!

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