“Não sois máquinas! Homens é que sois!”. Afirmou Charles
Chaplin, perorando um discurso no filme “O Grande Ditador”, lançado em 1940,
durante a Segunda Guerra Mundial. Pronunciada num contexto bélico, a frase, no
entanto, é metafórica e poderá ser aplicada em diversos momentos e situações. Cresce
o avanço tecnológico, invadindo os diversos ramos da ciência, inclusive os
voltados para a saúde. Segundo Hipócrates de Cós (460-370 A.C), a Medicina tem
como fundamento a “kliné” (clínica), termo derivado de “klinein” (em grego: inclinar-se, debruçar-se, tocar). Pouco a pouco, ela vai sendo tomada pelas
máquinas.
Os hospitais atualmente são verdadeiros arsenais de equipamentos
de avançada tecnologia. Isso faz lembrar Dr. Celso Matias de Almeida. Repetia
nas reuniões dos colegiados universitários e para os alunos da graduação médica
na UFRN (onde lecionou fisiologia e semiologia médica) a lapidar frase: “As
melhores sondas ultrassonográficas são os nossos dedos.” Com tais palavras o
grande médico ressaltava a primazia do humano sobre o tecnológico.
Até hoje, repercute entre seus numerosos ex-alunos a fama de protagonista
de uma Medicina humanizada.
Pela Lei 13.084/2015 criou-se o Dia Nacional do
Fisioterapeuta, profissão regulamentada pelo Decreto-Lei nº 938, de 13 de
outubro de 1969. Tal profissão integra a área de saúde. E como tal, está
sofrendo também o domínio da tecnologização, em detrimento do salutar relacionamento
humanizado. Pouco a pouco, celebra-se o réquiem do diálogo paciente-terapeuta.
Em seu lugar, entronizam-se os instrumentos eletrônicos, mecânicos... como
recursos terapêuticos. Enquanto isso, os profissionais aceitam o papel de
espectador e dependente das máquinas. A Fisioterapia, ao lado da Cinesiologia, busca
manter e maximizar a capacidade funcional e a mobilidade do ser humano. Para
tanto requer toque físico (sobretudo das mãos), orientado corretamente no
momento preciso.
Durante anos, fui
cético quanto à eficácia de certos tratamentos de saúde. Creio que tanto a
Medicina, quanto a Fisioterapia, foram concebidas para serem humanizadas. Não somos
simples peças de uma engrenagem social. É preciso ouvir, dialogar, tocar para identificar
a face da dor, o tamanho e a origem do sofrimento e o que poderá amenizá-lo ou
neutralizá-lo. Padeci de terapias grupais, em que, por vezes, o paciente representa
apenas um número ou dado financeiro. Oxalá, a Fisioterapia cumpra sua missão indispensável
no tratamento. Outrora, analgésicos, anti-inflamatórios, infiltrações, pomadas
e sessões fisioterápicas com aparelhos fizeram parte da minha rotina. Mas, há
pacientes que necessitam de contato físico. “Estes transmitem também a energia
de quem cura”, segundo a Medicina Oriental. Cristo tocava os enfermos (cf. Mt
8, 13; Mc 1, 40; Lc 4, 40 etc.). Com uma mente cartesiana, duvidei de vários
tratamentos, durante anos. Fui convencido e convertido, quando um
fisioterapeuta me demonstrou por seu testemunho que toda terapia é uma
realidade dialogal
e interativa.
Insisto sobre o que escrevi em artigo anterior: as
técnicas importam na reabilitação. Entretanto, elas pouco valem sem o
convencimento de quem as recebe ou o amor, carinho e dedicação de quem as
aplica. Neste Dia Nacional do Fisioterapeuta, gostaria de parabenizar Daliany
Guimarães e outros profissionais, os quais procuraram me ajudar. Meus
cumprimentos e reconhecimento especial ao Prof. Dr. Gildásio Lucas de Lucena,
que trata de meu corpo como “templo de Deus”. “Não sabeis que vosso corpo é
santuário daquele que habita em vós?” (1Cor 6,19). Minha gratidão pelo seu
zelo, empenho, paciência e compreensão comigo, sobretudo por me ter entendido,
conseguindo anular minha rebeldia. Fica a lição bíblica: “Por mais que alguém
seja perfeito,
dentre os mortais, se faltar a Sabedoria de Deus, nada conseguirá” (Sb 9, 6).

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