quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Estava me preparando para escrever esta notícia. Confesso que não é fácil encontrar palavras quando a dor fala mais alto.



 Estava me preparando para escrever esta notícia. Confesso que não é fácil encontrar palavras quando a dor fala mais alto.

Caicó está de luto.
Eu estou de luto.
Perdemos Monsenhor Antenor Salvino de Araújo, 96 anos, Pároco Emérito da Paróquia de Sant’Ana de Caicó. Um sacerdote que dedicou toda a sua vida à Igreja Católica e ajudou a escrever algumas das mais importantes páginas da história religiosa e cultural do Seridó.
Monsenhor Antenor foi um dos grandes responsáveis por transformar a Festa de Sant’Ana de Caicó em “um estrondo”. Com visão, dedicação e amor pela padroeira, trabalhou muito para que a celebração alcançasse a grandiosidade que possui hoje.
E parece que ele só esperou a Festa de Sant’Ana terminar para partir.
Na cerimônia de encerramento deste ano, Monsenhor Antenor foi homenageado nas palavras do atual pároco de Sant’Ana, Padre João Júnior. Uma reverência justa a quem tanto fez pela festa, pela Igreja e por Caicó.
Na última segunda-feira (03), eu e a jornalista, conterrânea Anna Ruth Dantas, também tivemos a oportunidade de homenagear e reverenciar Monsenhor Antenor durante o programa 12 em Ponto, da 98 FM. Falamos de sua importância, de sua história e do legado que construiu ao longo de uma vida inteira dedicada à fé e ao povo de Caicó.
Seu legado está espalhado pela cidade. Foi ele quem idealizou e construiu o emblemático Castelo de Engady, concebido como um local de recolhimento, estudos, meditação e oração. A obra levou 11 anos para ser concluída e foi inaugurada em maio de 1974. Hoje, pertence ao Governo do Estado, mas, infelizmente, encontra-se sem condições de uso.
Monsenhor Antenor também teve participação direta na construção de outra grande obra de Caicó: a Ilha de Sant’Ana. O projeto foi executado durante o governo de Wilma de Faria, de quem ele era amigo pessoal.
Guardo as melhores recordações de Monsenhor Antenor, meu primo, com quem tive longas e enriquecedoras conversas.
Um homem de conduta reta.
Um sacerdote de respeito.
Caicó perde um de seus maiores filhos. A Igreja perde um grande sacerdote. E nós perdemos uma referência de fé, cultura, retidão e dedicação.
Descanse em paz, Nonô.
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