Padre João
Medeiros Filho
Há versões sobre suas
origens. Estudiosos afirmam que foram assim denominadas em razão da festa
litúrgica de São João Batista, celebrada em junho. Posteriormente anexaram-se Santo
Antônio e São Pedro, cujas festividades acontecem igualmente nesse mês. Originalmente,
os festejos juninos (corruptela de joaninos) eram uma homenagem a João Batista,
“o maior entre os nascidos de mulher” (Mt 11, 11), cujo nascimento teria ocorrido
em 24 de junho. Segundo Câmara Cascudo, os festejos chegaram ao Brasil no
período colonial, incorporando elementos culturais franceses. Da França, vieram
danças caraterísticas da nobreza: as famosas quadrilhas (“quadrilles”). Os
fogos de artifício são um legado da China, de onde provém a pólvora. Aos
elementos europeus acrescentaram-se traços indígenas e africanos,
conferindo às festas características particulares. Os balões surgiram da ideia
de que poderiam levar os pedidos dos fiéis a São João.
Há quem afirme ser as
festas juninas oriundas de solenidades pagãs, organizadas para anunciar o
solstício de verão europeu. Daí, a fogueira lembrando o sol, contrapondo a
escuridão do inverno. Tinha por objetivo homenagear os deuses da natureza e da
fertilidade. Para Théo Brandão, “são celebrações populares europeias (destinadas
a celebrar a colheita), cristianizadas pelos católicos, homenageando os santos celebrados
em junho, acrescidas de elementos culturais indígenas e africanos.”
Os elementos aborígenos inculturados são
milho e mandioca. A cultura africana legou os ritmos de xote, baião, xaxado, acompanhados
por instrumentos como zabumba e triângulo. São típicos destas festanças: bandeirolas
coloridas, fogueiras, chapéus de palha, roupas de tipo xadrez e balões. Os
folguedos promovem integração social, união das comunidades, valorizando as
manifestações populares, refletindo a diversidade regional do país. Na
região nordeste predominam comidas de milho e
o forró. No sul e sudeste, há uma mistura de estilos, com viola caipira, vinho
quente e pinhão. Na região norte, integram-se carimbó e traços amazônicos.
A fogueira faz parte
dos festejos. Conta-se que nasceu da necessidade de avisar à vizinhança sobre o
nascimento de João Batista. Outros sustentam que seu simbolismo decorre das
comemorações pagãs que realçavam a claridade no solstício de verão. Tradicionalmente,
na festa de Santo Antônio, o formato da fogueira é quadrangular, representando os
quatros pontos cardeais e estações do ano. Na fogueira de São Pedro, chefe da
Igreja, ela é triangular, lembrando o mistério trinitário sobre o qual se funda
o cristianismo. Já na de São João, apresenta-se formando uma espécie de
pirâmide, elevando-se para o céu, lembrando o ser humano, “com os pés na terra
e olhos voltados para o Infinito”, segundo o poeta Horácio. Para o nordestino a
fogueira é sagrada, testemunha de vínculos espirituais. Em torno dela,
celebra-se uma espécie de batismo. No ritual, o afilhado
roda a fogueira e diz: “São João disse, São Pedro confirmou, que fulano seja
meu padrinho (ou madrinha), que Jesus Cristo mandou.” Havia os casamentos ao
redor da fogueira, uma maneira de amenizar o concubinato. Como pároco no
Seridó, era comum ouvir
também a citação desse fato para o apadrinhamento na celebração de batizados.
As festas juninas trazem alegria e lazer para
muitos. Demonstram que decepções e vilezas sofridas não conseguem eliminar da
alma o brilho da vida e o sorriso do semblante. A festa – análoga a um rito que
nos retira da rotina – afasta-nos das preocupações ou tristezas,
mergulhando-nos naquilo que a existência humana é chamada a ser: solidariedade
e comunhão. Festejar é tornar a existência humana valorosa e risonha, cheia de sentido e entusiasmo.
E isso é cristão, pois Jesus veio ao mundo “para que todos tenham
vida, e a tenham em plenitude” (Jo 10,10).
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