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A Organização Mundial da Saúde classificou o atual surto de ebola na África como uma emergência de saúde pública de importância internacional. Apesar do alerta, especialistas afirmam que a doença não representa ameaça ao Brasil neste momento.
Até esta terça-feira (19), foram registrados 513 casos suspeitos e 131 mortes na República Democrática do Congo, país que concentra o avanço da doença.
Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia, a decisão da OMS reforça a necessidade de coordenação global e de fortalecimento da vigilância epidemiológica para conter a disseminação do vírus.
O Ministério da Saúde informou que não há registro de circulação do vírus ebola no Brasil nem nas Américas. Mesmo assim, o governo brasileiro ativou o plano nacional de contingência para febres hemorrágicas virais e ampliou a vigilância sanitária, principalmente em viajantes que estiveram na República Democrática do Congo e em Uganda nos últimos 21 dias.
O protocolo prevê identificação rápida de casos suspeitos, notificação imediata, isolamento seguro de pacientes e monitoramento de contatos para evitar possíveis transmissões. Conforme orientação da OMS, o Brasil não deve fechar fronteiras nem restringir viagens e comércio internacional.
A infectologista Luana Araújo afirmou que o cenário preocupa devido à fragilidade política e sanitária da região afetada.
“O que mais preocupa todos é a percepção de que este surto é, muito possivelmente, o maior que veremos desde 2014”, destacou a especialista.
Já o infectologista Alexandre Naime Barbosa explicou que não há motivo para preocupação com a realização da Copa do Mundo e o aumento do fluxo internacional de turistas.
“Eventos internacionais aumentam o fluxo global, mas isso não significa aumento do risco de transmissão do ebola no Brasil”, afirmou.
Sintomas e transmissão do ebola
Os sintomas do ebola podem surgir entre dois dias e três semanas após o contato com o vírus. Os primeiros sinais costumam incluir febre alta, dores no corpo, fadiga intensa, dores musculares e dor de cabeça.
Nos casos mais graves, o paciente pode apresentar vômitos, diarreia, dores abdominais, queda de pressão arterial e hemorragias internas e externas.
A transmissão ocorre pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, como sangue, suor, saliva, vômito e fezes, além de objetos contaminados. O vírus também pode ser transmitido por animais infectados, como morcegos e primatas.
Especialistas ressaltam que o ebola não é transmitido pelo ar, fator que reduz o potencial de disseminação global da doença.
Atualmente, existe vacina com alta eficácia contra a cepa Zaire do vírus, chamada Ervebo, aprovada em mais de 40 países, mas ainda não liberada no Brasil.
A taxa de mortalidade do ebola pode variar entre 30% e 80%, dependendo da rapidez do diagnóstico e da qualidade do atendimento médico oferecido ao paciente.
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