Padre João Medeiros Filho
A Paróquia do Assú foi criada em 1726 por decreto canônico,
de Dom José Fialho, sexto bispo de Olinda e oficializado civilmente por alvará
régio. É a segunda do Rio Grande do Norte, desmembrada da freguesia de Nossa
Senhora da Apresentação, de Natal. Assú é a célula-mater da evangelização do interior
potiguar. Desde a antiguidade, a freguesia tem como orago São João Batista. Esperam-se
grandes comemorações por parte da paróquia e da comunidade para celebrar tão
relevante data.
Segundo
o pesquisador Dr. Gregório Celso Medeiros de Macêdo Silva, “os limites
primitivos da Freguesia de São João Batista eram, aproximadamente, a metade do
território que hoje corresponde ao RN: Vale do Açu, Regiões Oeste (Alto e
Médio-Oeste), Central, Salineira e parte do Seridó.” Da paróquia-mãe do sertão
potiguar (Assú) surgiram as seguintes freguesias: Pau dos Ferros (1756), abrangendo
todo o Oeste potiguar; Santana do Matos (1821) e Campo Grande (1837). No século
XXI, desmembraram-se as freguesias de
Carnaubais (2006) e da Beata Lindalva (2010). O renomado historiador potiguar,
Lenine Pinto, assegura que “a Freguesia de São João Batista do Assú, iniciava
depois da Missão Jesuíta, sediada em Extremoz, terminando na “Tromba do
Elefante”. Confrontava-se, ao norte com o Oceano Atlântico, ao sul com a Paraíba, a leste com a paróquia da Apresentação de
Natal e a oeste com o Ceará.”
Situada às margens do Rio Açu-Piranhas, Assú teve como
primeiros missionários os jesuítas, que catequizaram algumas regiões do Rio
Grande do Norte. Tais religiosos são devotos dos Arcanjos, de São João Batista
e da Virgem Maria. Fundaram a Missão de Nossa Senhora das Candeias (ligada ao Colégio
dos Jesuítas da Paraíba) para evangelizar os povos originários e os
colonizadores nas terras potiguares. Estiveram em Arês, cujo patrono é o
Precursor de Jesus. De lá, partiram para Extremoz, que tem como orago São
Miguel. Foram mais além, fixando-se em local correspondente a Angicos, antes
denominado Curral dos Padres. Próximo dali adquiriram uma fazenda, até hoje com
o nome de São Miguel. Adentraram para o interior e chegaram a
um arraial, às margens do Rio Açu, transmitindo a devoção a São João Batista, tornando-o
seu padroeiro. Seguiram o mandamento do Mestre: “Ide por todo o mundo, pregai o
Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15).
É
inegável a influência histórico-cultural, literária e política do Assú. O primeiro
Presidente da Assembleia Legislativa do RN foi Padre Francisco de Brito Guerra,
posteriormente Senador do Império brasileiro. Era assuense pelo “Jus soli”.
Dentre tantos padres parlamentares, oriundos do Assú, pode-se nominar Manuel
José Fernandes, Idalino Fernandes de Souza, Luís da Fonseca e Silva, Francisco
Teodósio de Seixas Baylon, João Teotônio de Souza e Silva, Manuel Januário
Bezerra Cavalcante. Os Padres Idalino Fernandes de Souza e Manoel Gonçalves
Soares de Amorim
ainda foram eleitos para a Assembleia Legislativa de Pernambuco. Outros
presbíteros assuenses exerceram cargos eletivos e executivos em vários municípios.
Não
se pode ignorar a presença e o pioneirismo do Assú também nas ciências. Doutor
Luiz Carlos Lins Wanderley (1831-1890) é o primeiro médico potiguar, nascido na
Vila Nova da Princesa a atuar no estado. Exerceu também as funções de professor
do Ateneu e Inspetor da Saúde Pública, em Natal. A Freguesia do Assú é de magna
importância para o RN. Não se trata apenas de uma instituição religiosa, o que
já seria relevante. Veio a se tornar um celeiro de vocações religiosas e
cristãs. O martírio da Bem-aventurada Lindalva é um ícone do testemunho de fé
dos assuenses. “Sempre e em toda parte,
reconheçamos com gratidão esses
benefícios” (At 24, 3).
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