Ney Lopes
Inicialmente, faço um registro: este texto busca analisar acontecimentos recentes, sem paixões partidárias.
Na política o erro de cálculo pode ser fatal. Palavras constroem reputações, mas também destroem alianças.
Historicamente, em 2005, o senador Jorge Bornhausen marcou sua trajetória ao dizer que era preciso “se livrar daquela raça”, referindo-se ao PT.
Em 1960, Aluízio Alves transformou a palavra “gentinha”, atribuída a aliados do seu adversário Djalma Marinho, numa poderosa arma popular.
Na última eleição municipal, Rosalba Ciarlini subestimou Allyson Bezerra, então seu concorrente à prefeitura de Mossoró, e acabou derrotada por ter se referido ao candidato como “menino pobre”.
Rogério e Flávio
Na atual pré-campanha para o governo do estado, o senador Rogério Marinho classificou de “ridículo” o uso do chapéu de couro pelo candidato Allyson Bezerra.
O chapéu de couro não é acessório; é o símbolo da resistência e do suor do vaqueiro nordestino.
Ao ridicularizá-lo, Rogério transformou o símbolo em uma arma política poderosa nas mãos de quem pretendia diminuir.
Enquanto isto, Flávio Bolsonaro sucumbe à crise ética.
A investida junto ao grupo Master por dólares para a cinebiografia do pai colide com o moralismo bolsonarista.
Ao abraçar o fisiologismo o senador entrega o discurso de bandeja aos seus opositores.
Consequências inevitáveis
Neste imbróglio, o senador Rogério Marinho tornou-se vítima de si próprio, embora seja um parlamentar competente.
Subestimou no atual processo eleitoral pessoas competentes e experientes, que poderiam lhe dar anteparo.
Preferiu os áulicos. A vida costuma cobrar juros elevados de quem age assim.
Agora, vê minguar o seu projeto de governar o RN e de coordenar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Talvez, ainda haja espaço para uma correção de rota.
Na política pedidos públicos de desculpas, quando bem formulados, podem reduzir danos.
É possível que funcionasse para Marinho um gesto de humildade pública de colocar um chapéu de couro e visitar associação dos vaqueiros, reconhecendo que errou ao mencionar um símbolo cultural.
Para Flávio Bolsonaro será mais complexo pedir desculpas pela semelhança entre o que condenava e o que fez.
No final, a política costuma ser cruel com quem troca a confiança do povo pelo peso do cheque.
Segundo o portal The Intercept Brasil, o valor negociado teria chegado a US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões.
Desse total, R$ 61 milhões já liberados em 2025.
No momento, o senador Flávio pressionava para receber o restante.
Em última análise, o senador Flávio Bolsonaro aprende que a integridade é um cristal, que não aceita remendos em dólar.
Os dois episódios demonstram que, entre o desrespeito a cultura e a fragilidade discurso ético, ambos flertam com peso da consciência popular, que sempre será maior que o peso de qualquer cheque.
Curtinhas
Filme
Shirley para Presidente (Netflix)- Conta a história real da primeira mulher negra a concorrer à presidência dos Estados Unidos.
Frase
"A paz começa com um sorriso." — Madre Teresa de Calcutá
Últimas da guerra
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