Ney Lopes
Fazer previsões para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte não é tarefa para amadores.
Como bem se diz nos bastidores: na política, o "número é o rastro, mas a circunstância é o caminho".
Por isso, toda leitura apressada sobre a sucessão potiguar costuma envelhecer cedo.
Desde 1962, quando Aluízio Alves, no ápice do seu "furacão", viu o rival Dinarte Mariz conquistar o Senado em uma eleição majoritária, o eleitor potiguar mandou um recado claro: o voto aqui é sazonal, personalista e avesso a cabrestos.
Outro exemplo indelével foi o "terremoto" de 1970.
De um lado, a força esmagadora do sistema com Djalma Marinho, apoiado por quase todos os prefeitos.
Do outro, Agenor Maria, o "Marinheiro", que aceitou navegar contra a maré para vencer o impossível.
Um cenário clássico de Davi contra Golias provou que o norte-rio-grandense não entrega todos os ovos na mesma cesta e jamais se curva a hegemonias absolutas.
A eleição de 2026
No topo da sucessão em marcha, Álvaro Dias surge como o candidato do "sistema”.
Apoiado pelo prefeito de Natal Paulinho Freire e por uma rede de alianças que parece robusta no papel, ele ostenta inegavelmente o favoritismo.
Porém, nem mesmo o apoio de Paulinho Freire, cuja gestão em Natal é bem avaliada, parece "garantir a vitória".
Paulinho estará mergulhado em uma batalha de sobrevivência familiar: a eleição da esposa para a Câmara Federal.
Na política, o instinto de preservação fala mais alto que a solidariedade partidária.
Além disso, a história potiguar é rica em exemplos de que obras e realizações administrativas não se traduzem automaticamente em votos proporcionais. José Agripino Maia, após dois governos de inegáveis marcas estruturantes, amargou derrota, quando tentou caminhos que pareciam óbvios.
De outro lado, Allyson Bezerra personifica a região Oeste, que hoje representa cerca de 20% do eleitorado e clama por um governador para chamar de seu.
De chapéu de couro e discurso popular, Allyson avança sobre o voto rural, mas pisa em ovos nos grandes centros como Natal e Parnamirim.
Se conseguir transbordar o carisma mossoroense para uma pauta que seduza a classe média da capital, poderá tornar-se ameaça real a Álvaro, cujo berço político, o Seridó, é eleitoralmente muito menor que o Grande Oeste.
No campo governista, Cadu joga com a baixa rejeição de quem não é político de carreira.. O mistério reside na transferência de votos: o potiguar apoia Lula, mas historicamente separa o joio do trigo na hora de escolher o governador. Se a política "formiguinha" de Fátima nos pequenos municípios surtir efeito e a mística de Lula colar em Cadu, ele se torna o inquilino do segundo turno.
O voto urbano, base de Álvaro, é volátil e infiel por natureza.
O voto de Allyson é emocional e geográfico.
O de Cadu é de expectativa e herança.
Não há "cigana" que antecipe o vencedor.
No fim das contas, a previsão segura é que o potiguar, mestre em rasgar prognósticos, poderá ser, mais uma vez, o cemitério da lógica e o berço das surpresas.
Curtinhas
Filme
“Missão Resgate” – Netflix e Amazon - Após o desmoronamento de uma mina de diamantes, um experiente motorista é recrutado para liderar uma missão de resgate. Ele e sua equipe têm apenas 30 horas para salvar a vida dos mineradores soterrados.
Frase
"Na guerra, os jovens morrem por erros que os velhos cometem; na paz, eles vivem para não os repetir".
Pesquisa
A Genial/Quaest de ontem, 13, registra Lula com 42% contra 41% de Flávio Bolsonaro no segundo turno, em empate técnico
Gasolina
O governo Lula editará medida provisória para conter preços da gasolina. O desconto será de cerca de R$ 0,62 por litro.
Cortesia profissional
O clima em Pequim na visita de Trump é de "cortesia profissional", mas evita gestos de extrema reverência, refletindo a nova realidade da competição estratégica entre as duas potências. O presidente americano chega em momento geopolítico fragilizado, o que aumenta o poder de negociação da China
Cura da surdez
Os chineses desenvolveram terapia genética promissora, capaz de reverter certos tipos de surdez. Utiliza vírus inofensivo injetado no ouvido, através de uma injeção.
Últimas da guerra
Mais de 1.900 civis morreram no Irã. Do lado americano, foram confirmadas pelo menos 13 mortes de soldados em combate direto.
Um superpetroleiro chinês com 2 milhões de barris de petróleo bruto iraquiano, rompeu no final da tarde de ontem, 13, o bloqueio em Ormuz. Não houve reação.
Dizem os analistas que as negociações entre USA e Irã são como um jogo de xadrez, onde os dois jogadores têm medo de que, ao apertar a mão do adversário, acabem perdendo o braço.
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