NEY LOPES
O turismo, antes visto como a "salvação" das economias, tornou-se o vilão da década. O fenômeno do overtourism overtourism (excesso de visitantes) não é mais um problema logístico — é uma guerra cultural. Hoje, o visitante não é mais recebido com flores, mas com resistência popular e, em casos extremos, hostilidade aberta.
Em 2025, o mundo assistiu atônito a manifestantes em Barcelona "caçando" turistas com pistolas de água. O recado foi ouvido: a prefeitura capitulou e anunciou o banimento total de aluguéis turísticos em prédios residenciais. O diagnóstico é brutal: as cidades estão morrendo para que o Instagram possa viver. O recado das ruas é claro: cidades não são parques temáticos; são lugares onde pessoas vivem.
A Expulsão dos Nativos
A paciência acabou. O que se vê em Lisboa, Paris e Madri é uma limpeza social silenciosa. Padarias artesanais dão lugar a redes de fast-food genéricas; lojas de souvenirs e redes de fast-food, descaracterizam o tecido social urbano.
O grande carrasco é o mercado imobiliário. Plataformas como o Airbnb transformaram bairros históricos em hotéis fantasmas, inflacionando aluguéis a níveis impagáveis e chutando os residentes para as periferias. Nas Ilhas Canárias, o grito é por sobrevivência: a população local vê seus recursos hídricos minguarem, enquanto os salários mofam na estagnação.
Outros exemplos: Paris famosa pelo atendimento rude. Cancún exploração financeira de visitantes. Nova York não demonstra hostilidade, mas parece falta de simpatia pelos visitantes. Moscou frieza pela cultura mais reservada. Pequim com Internet restrita, bloqueia apps ocidentais e dificulta acessos dos turistas. Dubai com fama de turística tem leis rígidas (álcool, por ex.) e quem não conhece as regras é mal visto. Budapeste tratamento seco. Praga cansaço com visitantes.
Muros e taxas: o mundo se fecha
A resposta dos destinos é o cerco. Veneza transformou-se em um museu pago, cobrando ingressos de quem ousa visitá-la no turismo de “bate e volta”. O Japão cansado do desrespeito, levantou barreiras físicas para tapar a vista do Monte Fuji, punindo os caçadores da "foto perfeita" que bloqueavam o fluxo urbano. Amsterdã fechou as portas para novos hotéis e expulsou os gigantescos navios de cruzeiro de seu porto.
Brasil lucra
Enquanto a Europa implode sob o peso das multidões e da xenofobia turística, o Brasil atua como herdeiro pragmático. Com recordes de 9 milhões de estrangeiros em 2025, o país se vende como o "último refúgio" — o destino onde o turista ainda é bem-vindo, fugindo da saturação e do ódio europeu.
Morte por Exaustão
O turismo move 10% do PIB global, mas o modelo "quanto mais, melhor" provou-se um suicídio coletivo. A "galinha dos ovos de ouro" está sendo sufocada. As novas restrições não são apenas políticas públicas; são manobras de emergência para evitar que as cidades se tornem cascas vazias, cenários de filme em que ninguém mais consegue viver, apenas visitar.
CURTINHAS
Filme
De Volta à Itália – Prime Vídeo - Robert (Liam Neeson), um artista boêmio, viaja de Londres para a Itália com seu filho para tentar reformar e vender a casa que herdou na Toscana de sua falecida esposa.
Frase
"Refletir é entender que a nossa verdade não é a única, apenas a nossa perspectiva."
O dia em Ormuz
O balanço no final do dia de ontem,14, no Estreito de Ormuz indicou, que vários petroleiros que transitavam na área pararam ou deram meia-volta. Seis embarcações receberam ordens do exército americano para retornarem. Não conseguiram ir além da foz do Golfo de Omã.
Leão XIV: Papa anti-Trump.
Um ano após sua eleição, o confronto do Papa com o líder americano eleva seu prestígio e apresenta aos políticos e eleitores da extrema direita um dilema existencial: de que lado estão? (El País).
Dancinha ridícula
Flávio Bolsonaro voltou a fazer sua ridícula dancinha, agora em Porto Alegre, diante de cinco mil pessoas. Flávio, suas dancinhas e seus sapatênis, parece procurar desesperadamente o eleitorado fiel do governador Eduardo Leite. O eleitorado de oposição quer seriedade.
PT muda estratégia
Diante dos últimos resultados de pesquisas desfavoráveis a Lula, o PT pretende intensificar a comparação entre o governo Lula e a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que busca ampliar a divulgação de programas, políticas públicas e entregas da atual administração.
Impossível a sobrevivência humana
Caso os EUA decidam intensificar ainda mais o conflito, os iranianos ameaçam destruir usinas de energia e instalações de dessalinização nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, tornando a vida humana praticamente impossível.
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