NEY LOPES
Judicioso artigo de Paulo Baía, sociólogo, cientista político, ensaísta e professor da UFRJ, “abre os olhos” de quem acompanha o processo eleitoral brasileiro.
O “recado” para os candidatos e marqueteiros é ter consciência, que não basta apenas “fazer marketing jovem”, e sim também construir uma comunicação política, que funcione para os eleitores mais velhos.
O idoso não é o “vovô que precisa de ajuda”, mas o cidadão que sustenta a casa, consome e também decide quem sobe a rampa do Planalto. Hoje, representa cerca de 23% do eleitorado (mais de 36 milhões de brasileiros em 2026).
Dados da Nexus Pesquisa e do TSE revelam uma realidade que muitos preferem ignorar: o Brasil envelheceu, e o poder agora está nas mãos de quem já viveu décadas de crises.
É uma força avassaladora e disciplinada, que toma conta do cadastro eleitoral brasileiro.
Invasão Prateada
O salto é assustador para qualquer marqueteiro: em 16 anos, o eleitorado idoso cresceu 74%, chegando a 36,2 milhões de pessoas.
Enquanto o país cresceu apenas 15% como um todo, a terceira idade avançou cinco vezes mais rápido.
Não é apenas uma mudança estatística; é uma transferência de poder.
Quase um em cada quatro votos virá de alguém com mais de 60 anos.
Erro Fatal
A polêmica maior reside na ignorância das campanhas. Tratar o Facebook como "coisa de velho", ou acreditar que o idoso é um eleitor passivo é um erro analítico crasso.
Ao contrário dos jovens, que fragmentam a atenção em vídeos de cinco segundos, o eleitor idoso lê, compara e guarda na memória.
Muitas vezes, o eleitor idoso é tratado pelas campanhas como alguém que está em uma posição de carência extrema e, por isso, trocará seu voto por um benefício imediato, ignorando que, em muitos casos, ele é o principal arrimo de família e também quer segurança para os netos e educação de qualidade.
Entregar remédio, passagens gratuitas, brindes e prometer asilos aos idosos é fácil de usar em um comercial de TV.
Reformar o sistema previdenciário, integrar o prontuário para que tenha acompanhamento geriátrico contínuo e criar uma rede de atenção básica à saúde, leva anos e não "gera foto”.
Enquanto a abstenção é o pesadelo das siglas, os eleitores entre 60 e 69 anos registram comparecimento recorde de 85,7%.
Eles não faltam.
Eles decidem.
Em estados como RGS e RJ, quase 30% do eleitorado é idoso.
Silêncio que Decide
Ainda há uma "bomba relógio" de 11 milhões de idosos que não votaram em 2022.
Esse contingente, majoritariamente acima dos 70 anos, é uma reserva de poder que ninguém sabe como ativar.
O recado do sociólogo Paulo Baía é um tapa na face do status quo político: o idoso não quer slogan, quer coerência. Ele não se ilude com promessas vazias porque já viu todas elas falharem antes.
Em 2026, a democracia brasileira será escrita por quem tem rugas no rosto e memória de sobra.
Quem tiver ouvidos para os mais velhos, que ouça.
O resto?
Será engolido pelo peso do tempo.
Curtinhas
Filme
“Lei e ordem” – Série- Globoplay e NETFLIX - A vida e os desafios da Equipe Especial de Elite do Departamento de Polícia de NY investiga os crimes de caráter sexual. Eles precisam ao mesmo tempo balancear os efeitos das investigações em suas vidas pessoais.
Frase
"A política não é um espetáculo de salvadores da pátria, mas uma construção cotidiana de consensos possíveis dentro do conflito."
Filme sobre Bolsonaro
O filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro (PL) está previsto para estrear no dia 11 de setembro, antes do primeiro turno da eleição.
Debates da Globo
César Tralli, âncora do ‘JN’, substituirá Bonner nas entrevistas e debates eleitorais da eleição de 2026. Renata Vasconcelos integra a equipe.
Consumo de vinho
O consumo de vinho na França caiu quase 70% em 60 anos. Menos de 10% dos franceses consomem vinho diariamente. Portugal lidera o consumo mundial de vinho per capita. Em volume total, os Estados Unidos são o maior mercado consumidor mundial, superando França e Itália.
Interdição de FHC
O ex-presidente FHC, aos 94 anos, tornou-se alvo de processo de interdição judicial (curatela). O pedido não foi motivado por disputa familiar hostil, mas sim pelo estado de saúde do ex-presidente. FHC enfrenta um quadro de declínio cognitivo e perda de memória.
Nova imortal
A escritora Elza Bezerra Cirne foi eleita para a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, ocupando a Cadeira 11, anteriormente pertencente a Paulo de Tarso Correia de Melo. A nova imortal é um dos maiores talentos literários do Estado e engrandecerá a instituição. Parabéns!
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