quarta-feira, 18 de março de 2026

O tratamento oncológico e seus desafios: como cuidar de quem fica em casa?

 


                     Keillha Israely - Assistente Social Casa Durval Paiva - CRESS/RN 3592

A Casa Durval Paiva foi criada, há 30 anos, para acolher crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas, oferecendo suporte qualificado para enfrentarem o tratamento, um processo difícil e repleto de desafios. 

As famílias chegam à instituição, abaladas com o diagnóstico de seus filhos, sobrinhos, netos, primos, amigos, dentre outros, com o mesmo objetivo final: a cura. Recebemos, todos os meses, casos novos, dos mais diversificados tipos de câncer e doenças hematológicas, diagnósticos que chegam como um vendaval na vida de tais pessoas, são tumores raros, tratamentos longos e, para enfrentarem as situações advindas com a doença, os pacientes necessitam de acompanhamento especializado e humanizado. 

São pacientes e famílias que chegam de diversas cidades do interior do Rio Grande do Norte, de Natal e até de outros estados, que deixam suas casas, familiares e amigos em busca de tratamento. São mães, pais, avós, irmãos, que, para cuidarem do ente querido, renunciam a própria vida, emprego, companheiros, enfim, cuidar é realmente um ato de amor. No entanto, como cuidar daqueles que ficam em casa? Como uma mãe consegue cuidar do filho doente aqui, enquanto os outros ficam em casa? E que cuida desses que ficam longe? 

A falta da casa, dos irmãos, dos amigos, dos filhos, dos primos, da escola, dos vizinhos, essa falta é uma constante na vida dessas crianças, adolescentes e seus cuidadores. O tratamento oncológico é longo e, por vezes, alguns pacientes ficam meses sem poderem ir às suas casas e, assim, rever seus familiares e amigos, ou seja, trata-se de uma ausência que machuca. 

Há tantas histórias que nos marcam, como pessoas e profissionais, mas, hoje, trago um relato sobre M.V.P.F, paciente que, há 7 anos, está vivenciando as nuances do tratamento oncológico, tendo como diagnóstico um câncer bem agressivo, que, por diversas vezes, precisou deixar o estado em busca de um tratamento mais avançado. Já passou meses longe de casa, enquanto o pai precisou sair da cidade para trabalhar e o irmão mais velho ficou aos cuidados da avó materna, um mostra de uma família, que precisou ficar, literalmente, separada. Nesse meio tempo, inclusive, já nasceu uma irmã mais nova. O paciente já passou por transplante, cirurgia, radioterapia, e muitas... muitas sessões de quimioterapia, e, até hoje, a notícia da ida para casa é uma das melhores e mais desejadas. 

Esse é apenas um dos inúmeros casos, que acompanhamos todos os dias, e enquanto profissionais precisamos entender, compreender e atuar, a fim de garantirmos que esses sejam tratados de forma humanizada, enquanto sujeitos de direitos, apreendendo que tais famílias vivenciam situações complexas, para além do câncer e que requerem nosso acolhimento, cuidado e atenção.

At.te

Michelle Phiffer

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