Créditos: REUTERS/Paulo Whitaker
O governo federal decidiu elevar o imposto de importação de mais de 1.200 produtos, principalmente máquinas, equipamentos industriais e itens de tecnologia, em resposta ao avanço das importações e à perda de espaço da indústria nacional. A informação é da CNN Brasil.
A medida foi formalizada pela resolução Gecex nº 852, de 4 de fevereiro de 2026, e abrange 1.252 códigos de produtos com novas alíquotas, válidas a partir de fevereiro e março.
A reação mais forte veio de entidades do setor de tecnologia, que depende de componentes importados. Servidores, switches, roteadores e outros equipamentos tiveram aumento de imposto. Em nota, a Associação Brasileira das Empresas de Software afirmou que a decisão afeta toda a economia, já que a tecnologia sustenta os demais setores.
Segundo o governo, o aumento das importações representa risco estrutural à indústria. Em 2025, as compras externas de bens de capital e tecnologia somaram cerca de US$ 75 bilhões. Nota técnica do Ministério da Fazenda aponta que importados já respondem por cerca de 45% do consumo de máquinas e equipamentos e mais de 50% dos bens de informática e telecomunicações no país.
Com a mudança, tarifas antes zeradas ou abaixo de 7% passam a se concentrar em faixas próximas de 7%, 12,6% e 20%. O impacto tende a ser maior em setores como mineração, petróleo e gás, energia, infraestrutura e agronegócio. O governo avalia que o efeito na inflação deve ser limitado, por atingir principalmente bens de produção.
A medida integra a estratégia de política industrial alinhada à Nova Indústria Brasil e segue tendência internacional de proteção a setores estratégicos.
Apesar da alta, permanecem exceções para produtos sem fabricação nacional, por meio de ex-tarifário e regimes especiais. Setores intensivos em investimento continuam com mecanismos como Repetro, Recof e Drawback, que reduzem tributos sobre equipamentos importados. Essas exceções funcionam como amortecedor para não travar investimentos dependentes de tecnologia estrangeira.
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