Ney Lopes
Após o resultado recente da eleição da Costa Rica, o colega e amigo Adilson Gurgel de Castro lembrou análises anteriores desta coluna, insistindo que o mundo passa por grandes transformações e a segurança pública é colocada no topo das prioridades dos governos, muitas vezes superando pautas sociais ou econômicas tradicionais.
É verdade.
O fenômeno decorre do aumento do “crime organizado”, novas ameaças tecnológicas e o medo generalizado da população.
A Costa Rica, país que conheci bem, quando presidi o Parlamento Latino-Americano, era exemplo de paz social, democracia e estabilidade na América Latina.
Aboliu, inclusive, suas forças armadas, em 1948. Sem gastos militares, a Costa Rica redirecionou recursos para educação, saúde e infraestrutura, resultando em altos índices de desenvolvimento humano na região.
O pacifismo costarriquenho rendeu ao ex-presidente Óscar Arias, o Prêmio Nobel da Paz em 1987.
Costa Rica mudou
Agora, tudo mudou.
A populista de direita Laura Fernández conquistou vitória na eleição presidencial de 2 de fevereiro de 2026, em uma onda de apoio popular a sua plataforma "linha-dura contra o crime".
Ela anunciou na campanha simpatia pelo “modelo Bukele”, que é uma estratégia de segurança pública colocada em prática pelo presidente Nayib Bukele em El Salvador, focada na repressão drástica de gangues através de prisões em massa, militarização e suspensão de direitos constitucionais.
Judiciário liberta criminosos
O sucesso estatístico do modelo Bukele fez Laura Fernández colocar no seu programa de governo o tripé segurança, saúde e economia, onde o medo da violência física e cibernética adapta o seu estilo de gestão à uma política permanente de “enfrentamento do crime”, com o uso "de punho de ferro".
Uma das razões da prioridade dada por Laura Fernandez é que o presidente Rodrigo Chaves termina o seu mandato, com índices de aumento dos homicídio e culpou o judiciário por libertar criminosos.
Ela se comprometeu a incluir a construção de prisões de segurança máxima, o aumento das penalidades por crimes violentos e a implementação de estados de exceção em zonas de alta criminalidade para suspender certas liberdades civis.
No Brasil, violência supera economia
No Brasil, a violência superou a economia como a maior preocupação dos brasileiros em pesquisas de opinião para as eleições de 2026.
Enquanto isto, a esquerda busca "humanizar e racionalizar" as forças de segurança e o centro-direita discute o endurecimento contra organizações criminosas ultraviolentas.
O futuro dirá qual melhor caminho.
Curtinhas
Filme
A Última Carta de Amor- Netflix - Depois de encontrar uma série de cartas de amor de 1965, uma repórter decide resolver o mistério de um romance secreto – e, quem sabe, se apaixonar também?
Frase
As ideias se copiam, os talentos jamais.
Decisão correta (I)
O desembargador Amílcar Maia, do TJ-RN, prolatou oportuna decisão, em favor do turismo potiguar. Retomou a plena vigência da lei municipal 7.801/24 e permitiu a retomada da emissão de licenças e alvarás de construção na Via Costeira, em Natal, um dos principais ativos turísticos do RN, que está inaproveitado.
Decisão correta (II)
O magistrado, com lucidez, recomendou medidas preventivas para evitar impactos socioambientais e o crescimento econômico. É assim em todos os países desenvolvidos do mundo.
Uma situação inexplicável (I)
O Brasil é o segundo maior fornecedor de minério de ferro para o mercado chinês, enquanto a China utiliza essa matéria-prima para produzir aço em larga escala e exportá-lo de volta ao Brasil a preços competitivos
Uma situação inexplicável (II)
O aço importado da China chega ao Brasil com preços 20% a 30% mais baixos que o nacional, muitas vezes abaixo do custo de produção, o que é caracterizado pelo setor como dumping.
Uma situação inexplicável (III)
A alternativa é agregação de valor ao aço brasileiro para reduzir a dependência das importações chinesas. A falta dessa providência tem levado à ociosidade de fábricas brasileiras e cortes de empregos
Capital foge do Brasil (I)
Estimativas indicam que cerca de 1.200 milionários deixaram o Brasil em 2025 em busca de maior estabilidade patrimonial e menor carga tributária. Aproximadamente 13 empresas de peso, incluindo nomes como JBS e Carrefour, fecharam capital ou anunciaram planos para deixar o mercado acionário brasileiro.
Capital foge do Brasil (II)
Empresas como Petrobras, Vale, Gerdau e CSN adotaram medidas de racionalização de gastos diante de incertezas econômicas globais e locais. Embraer e Lupo estão expandindo suas operações para o exterior, motivadas por fatores econômicos e estratégicos.
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