Ney Lopes
Quando se fala em desafio para governar o RN supõe-se a definição de metas claras, que transformem sonho em realidade.
Acredito, que a eleição de 2026 será definida pelo candidato que for capaz de inspirar segurança e transmitir ao eleitorado, em linguagem popular, planejamento estratégico para o Estado, definindo objetivos viáveis de longo prazo.
Em resumo: serão exigidas respostas para “o que realmente desejamos” e “como vamos chegar lá”, transformando "o que" em "como fazer", com prazos e ações definidas para garantir o progresso e resultados consistentes, acima de ideologias.
Uma parcela do eleitorado (cerca de um terço), diante da situação de “urgência” do Estado, exigirá isto do candidato.
Essa faixa decidirá a eleição, ao contrário do que pregam certos estrategistas.
Ninguém duvide.
Visão política global
Hoje é absolutamente imprescindível ao administrador público, uma visão política e administrativa, que vá além dos limites do seu próprio país.
Já em 1960, um filosofo canadense Marshall McLuhan cunhou a frase, de que o mundo é uma aldeia global
Se em 1960 era assim, imagine-se a atualmente com a hiperconectividade acelerada, onde a tecnologia de ponta (Inteligência Artificial, redes sociais) torna a conexão entre as pessoas quase instantânea e constante, superando barreiras geográficas.
Analisemos a mensagem central deste artigo.
RN: uma fronteira mineral
Considero, que nesta eleição de 2026 pesarão muito o valor pessoal e a capacidade do candidato, ao mostrar caminhos seguros para o futuro.
Nessa lógica há um tema, que poderá ser o carro chefe do processo eleitoral. Refiro-me as “terras raras”, que formam no Brasil a segunda maior reserva mundial, com cerca de 21 milhões de toneladas.
O RN é considerado uma das principais fronteiras potenciais do país para “minerais críticos e estratégicos”, fundamentais na transição energética e tecnologias de ponta.
Pesquisas apontam que o estado, especialmente a região do Seridó, possui uma das maiores variedades minerais do país, com destaque para a presença de terras raras, minerais cobiçados internacionalmente.
A busca por minerais críticos — essenciais para tecnologias de transição energética (carros elétricos, energia solar, eólica) e defesa — intensificou-se globalmente entre 2024 e 2025, transformando-se em uma "corrida" geopolítica.
As nações buscam diversificar fornecedores para reduzir a dependência da China.
As ambições de Trump
As ambições do presidente Trump na Groenlândia, na anexação do Canadá e pressões sobre a Ucrânia para aceitar segurança em troca de recursos estratégicos, têm o objetivo de chegar a um acordo para compartilhar esse tesouro de “terras raras”, ainda inexplorado.
No Brasil, a forma cordial como ele vem tratando Lula, revela a mesma intenção.
Na disputa pelo governo do estado é normal que um candidato aponte prioridades para áreas carentes da sociedade (saúde educação, segurança etc.).
Entretanto, a governabilidade começa pelo aproveitamento do potencial econômico, de forma moderna e racional.
Nessa linha, o “caminho das pedras” indica a existência no RN de imensas reservas de minerais críticos com pesquisa avançada em lítio, terras raras, tungstênio, nióbio, tântalo e titânio, além de minerais como ouro, ferro, feldspato e caulim, recursos cruciais para a transição energética e tecnológica global.
Percebe-se que o futuro será subterrâneo e há uma luta implacável pelo seu controle.
O importante é não ser apenas mero fornecedor de matérias-primas estratégicas, mas sim participar da promissora cadeia de valor.
Prioridade para o Geoparque do Seridó
O RN tem “sorte”.
Aqui está localizado um órgão internacional, vinculado a UNESCO, que é Geoparque do Seridó, reconhecido desde 2022, situado na região semiárida do estado, que abrange os municípios de Acari, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Currais Novos, Lagoa Nova e Parelhas.
O Geoparque destaca-se pela preservação da geodiversidade, cultura e história da região, cobrindo uma área de 2.800 km² de grande valor geológico, como o Cânion dos Apertados considerado uma das 7 maravilhas do RN, cuja formação é resultado de milhões de anos de erosão fluvial.
Centro de pesquisa
O Geoparque pode transformar-se em um grande centro de pesquisa de minerais críticos e terras raras, sendo local ideal para estudos e desenvolvimento sustentável, conciliando ciência, conservação e economia local.
A ação governo seria na mobilização das forças vivas do Estado, a partir das nossas Universidades, no sentido de colocar o RN na liderança brasileira, em busca do aproveitamento econômico de “minerais críticos e terras raras”.
Essa seria uma meta político-administrativa, que não tem como dá errado.
Uma questão apenas de vontade política.
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