terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Lula e Galípolo omitiram de agenda encontro com dono do Master

 

                                           Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em uma reunião no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, não registrada em agenda oficial. O encontro ocorreu no gabinete de Lula e durou cerca de uma hora e meia.

Em um evento em Maceió (AL), nesta sexta-feira (23), o presidente disse que “falta vergonha na cara” de quem defende Vorcaro. O tom do presidente contrasta com o fato de que, até recentemente, o Master tinha boas relações com pessoas do núcleo petista, incluindo ministros que estavam no palanque no evento.

Como revelou o colunista Lauro Jardim, a reunião no Planalto foi agendada pelo ex-ministro Guido Mantega.

A coluna mostrou neste sábado (24) que Mantega foi contratado como consultor do Master por R$ 1 milhão mensais, a pedido do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). O ex-ministro prestou consultoria ao banco entre julho e novembro de 2025, período em que recebeu, ao menos, R$ 16 milhões em honorários.

Procurado, o ex-ministro não comentou o assunto. Wagner negou o pedido de emprego. A assessoria de Lula não explicou o motivo de omitir o encontro da agenda oficial.

Na ocasião do encontro com Lula, os problemas do Master já eram conhecidos e Mantega atuava como lobista no governo pela aprovação da operação de venda do Master ao BRB.

A reunião agendada por Mantega reuniu Lula, Vorcaro, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além de Gabriel Galípolo, então indicado para a presidência do Banco Central.

Também esteve presente Augusto Lima, que ocupava o cargo de CEO do Master. Lima é a ligação de Jaques Wagner e Rui Costa com o Master. Na conversa com Lula, o executivo alegou haver uma articulação dos grandes bancos para preservar a concentração do mercado e prejudicar o Master.

Naquele momento, Lula vivia um embate aberto com Roberto Campos Neto e reiterou o discurso de que os bancos privados seriam um dos principais entraves ao país, em razão dos juros elevados e da concentração bancária.

Segundo relatos obtidos pela coluna, Lula pediu a Galípolo que tratasse o caso do Master com isenção ao assumir o comando do Banco Central.

Sob a gestão de Galípolo, os técnicos do BC se posicionaram contra a venda do banco ao BRB e decretaram a liquidação do Master alegando fraude de R$ 12 bilhões para o sistema financeiro.

Mantega deixou a consultoria do Master após o BC liquidar o banco.

Com informações de Andreza Matais, Metrópoles

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