sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Em acareação, ex-presidente do BRB disse que banco não recuperou R$ 2 bilhões aportados no Master

 Em acareação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa afirmou que o banco público do Distrito Federal não conseguiu realizar a recuperação de um valor de aproximadamente R$ 2 bilhões investidos no Banco Master para a compra de falsas carteiras de crédito consignado e disse que esse procedimento foi interrompido porque o Banco Central decretou a liquidação do banco de Daniel Vorcaro.

Procurado, o BRB afirmou que, em fase de auditoria, “aguarda a conclusão de apuração relacionada a eventual prejuízo no BRB para avaliar o cenário e tomar as medidas necessárias”. A defesa de Paulo Henrique Costa disse que sua atuação no processo foi “técnica”, sempre documentada e regular. A defesa de Vorcaro disse que o BRB não tomou prejuízo na operação. Em seu depoimento, ele afirmou ter sido surpreendido com a liquidação do seu banco e fez críticas ao Banco Central.

Como mostrou o Estadão, o BC segurou liquidação no Master para evitar o “risco de Banco Ipiranga” e quebra do BRB. A era permitir investigações pela Polícia Federal enquanto o Master devolvia recursos ao Banco de Brasília.

A informação indica que o BRB ainda corre risco de tomar prejuízo por causa dos aportes de R$ 12,2 bilhões no Master, que são o objetivo da investigação da Operação Compliance Zero.

Esse foi um dos pontos abordados pela delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo na acareação realizada na noite de terça-feira, 30, que durou apenas meia hora, após nove horas de colheita dos depoimentos deles. O diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, também havia sido ouvido, mas foi dispensado de participar da acareação. A PF queria confrontar as informações de Vorcaro e Paulo Henrique Costa sobre esse procedimento de substituição das carteiras.

Depois que o BC apontou inconsistências nas carteiras de crédito compradas pelo BRB, o Master ofereceu ao banco estatal do Distrito Federal a possibilidade de substituir esse investimento por outros ativos do banco.

Paulo Henrique Costa afirmou à PF que, quando a Operação Compliance Zero foi deflagrada, o BRB já havia conseguido substituir cerca de R$ 10 bilhões dessas falsas carteiras de crédito consignado por outros ativos do Banco Master, mas ainda não havia recuperado cerca de R$ 2 bilhões.

De acordo com Paulo Henrique Costa, o Master ofereceu garantias de R$ 9 bilhões enquanto o BRB não finalizava a substituição desses R$ 2 bilhões em ativos. O processo estava em curso quando a PF deflagrou a operação e a liquidação do Master foi decretada, dificultando a substituição completa.

Os investigadores avaliam, porém, que o potencial prejuízo ao BRB ainda pode ser maior, porque cerca de R$ 5 bilhões em ativos do Master oferecidos ao BRB não possuem liquidez.

Em seu depoimento, Vorcaro afirmou que o BRB não teve prejuízo na operação realizada com o Banco Master e disse que a instituição ofereceu um deságio de 30% nos ativos que foram substituídos, para facilitar a recuperação dos valores investidos pelo BRB. Vorcaro também confirmou que os ativos ainda estavam em processo de substituição quando foi decretada a liquidação.

Procurada, a defesa de Vorcaro disse que não houve divergências sobre esse ponto entre os dois e afirmou que os ativos que não foram substituídos totalizam cerca de R$ 1,6 bilhão, mas tiveram uma garantia de R$ 9 bilhões oferecida pelo Master.

O advogado de Paulo Henrique Costa, Cléber Lopes, afirmou que “não houve contradições” entre os depoimentos e disse que foram “percepções distintas sobre os mesmos fatos”.

“A acareação realizada foi breve e suficiente para esclarecer essas diferenças. Paulo Henrique Costa foi ouvido por mais de duas horas, respondeu a todos os questionamentos e sempre destacou que sua atuação se deu no âmbito de decisões técnicas, colegiadas e formalmente documentadas, indicando os registros que comprovam a correção e a regularidade de sua atuação como presidente do banco BRB”, afirmou.

O BRB afirmou, em nota, que é uma “instituição é sólida”, que “todo o processo de substituição de carteiras e adição de garantias, previsto em contrato, foi reportado e acompanhado pelo Banco Central” e que aguarda o resultado de auditoria “para avaliar o cenário e tomar as medidas necessárias”.

“O Banco reafirma sua robustez e ressalta que, dos R$ 12,76 bilhões mencionados pela imprensa, referentes à exposição bruta com documentação fora do padrão, mais de R$ 10 bilhões já foram liquidados ou substituídos; o restante não representa exposição direta ao Master. Todo o processo de substituição de carteiras e adição de garantias, previsto em contrato, foi reportado e acompanhado pelo Banco Central”, diz o texto.

Com informações de Estadão

Fonte: Portal Grande Ponto

Nenhum comentário:

Postar um comentário