quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

ANÁLISE: A SORTE DE ÁLVARO DIAS

 

Ney Lopes

Após início de campanha com o senador Rogério Marinho candidato ao governo do Estado em 2026, ontem, 21, uma reviravolta colocou o ex-prefeito de Natal como candidato lançado, o que sempre foi a aspiração dele.

Sou amigo e admirador de Álvaro Dias, que sempre me tratou com distinção.

Por isso, a notícia alegrou-me. Analisarei a sua escolha e o panorama político estadual em artigos próximos.

Hoje, desejo destacar um tema, que causa concordâncias e discordâncias.

Trata-se da “sorte” na trajetória do político.

Sem negar os méritos pessoais e competência demonstrada, Álvaro Dias é um político de “sorte”.

Ele confirma  máxima do professor e jornalista Robert H. Frank, autor do livro “Sorte e Sucesso”, que diz: “Trabalhar duro e ter talento não é o suficiente. É preciso ter sorte”.

Em 2016, após tensões, o então deputado Henrique Alves “fincou o pé” e indicou para vice prefeito de Natal, na chapa do primo Carlos Eduardo, um líder da região do Seridó, deputado Álvaro Dias.

A indicação surpreendeu, mas em política “quando se quer se pode”.

Brilhou a “sorte” de Álvaro.

Dois anos depois, o prefeito Carlos Eduardo afastou-se para disputar o governo e Álvaro Dias assume a Prefeitura de Natal, realmente uma dádiva política. Álvaro fez excelente administração, o que não invalida destacar a sua “sorte” para na PMN demonstrar talento.

Em relação a eleição de 2026, sem mandato, Álvaro enfrentou dificuldades, até de correligionários.

Muitos amigos começavam a preocupar-se com o seu futuro político.

De repente, tudo muda. Confirmam-se os estudos de pesquisadores como Robert Frank que mostram a “sorte” considerada estatisticamente o fator de desempate entre os melhores.

Agora, só resta desejar a Álvaro Dias que a “sorte” lhe conduza à vitória na disputa do governo do RN

Uma palavra de alerta

Jamais concordaria com aqueles que irresponsavelmente detratam o STF, até em favor da sua extinção. Alinho-me entre aqueles que preservam a instituição, como um pilar da Democracia, o que não impede o direito de análises, prós e contra o comportamento dos membros da Corte, exigindo explicações públicas.

Ultimamente, o Supremo tem tomado decisões polêmicas, com notória interferência em outros poderes, ao invés de limitar-se a interpretação técnica da Constituição. Tais decisões geram debate sobre os limites entre o judicial e o político.  Além disso, fatos concretos ocorrem com frequência, debilitando  a imagem institucional do órgão.

Exemplos

Citem- se como exemplos: presença em inaugurações de obras e recepções com políticos e investigados; regras de auto blindagem, em relação aos membros; ordens para abrir inquéritos e condução pessoal das investigações; edição de regras típicas de leis, inclusive censura; declaração de poder político, ao invés de poder moderador; declaração pública de que “derrotamos o bolsonarismo”, o que caracteriza posição político partidária; parcerias tácitas com o Executivo para somar votos em certas decisões; aliciamento pessoal de ministros para interferir nas votações do Congresso; guerra fria"  com o Legislativo tomando decisões sobre emendas parlamentares (orçamento secreto) e  projetos aprovados; decisões monocráticas, levando a divergências profundas sobre temas cruciais; limitações excessivas de ações policiais e outros.

Código de Ética

Diante de tantas evidências, o presidente Fachin tem razão ao propor um código de ética para ministros de tribunais superiores no Brasil e assim garantir maior transparência no Judiciário, a partir de 2026. É um meio de conter as tensões geradas por decisões, que limitam o poder de outros setores da República.

Vários países já possuem regras éticas para os magistrados, inspiradas nos “Princípios de Bangalore de Conduta Judicial, que são diretrizes globais, focadas em valores como Independência, Imparcialidade, Integridade, Idoneidade, Igualdade, Competência e Diligência, visando orientar o comportamento ético dentro e fora do tribunal, visando  fortalecer a confiança pública e promover um Judiciário justo e eficaz.

Serve também como base para códigos nacionais e desafios contemporâneos como as mídias sociais. O código de ética em debate não representa censura, nem interferência no poder de julgar. Será apenas uma “palavra de  alerta”, convocando vigilância e prontidão, para a preservação da  credibilidade da nossa Corte Suprema.

CURTINHAS

Filme

“A Grande Entrevista” - NETFLIX- Inspirado em eventos reais, este drama revela os bastidores da polêmica entrevista concedida pelo Príncipe Andrew (filho da Rainha Elizabeth II) à BBC, em 2019, sobre seu envolvimento com o criminoso sexual Jeffrey Epstein. O “furo” da entrevista manchou ainda mais a imagem da realeza.

Frase

Mantenha os seus amigos por perto e os inimigos ainda mais perto” (Regra da máfia).

 

 

 

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