Créditos: Aldo Pavan/Getty Images
O Mar Vermelho passou por uma transformação extrema há cerca de 6,2 milhões de anos, quando secou completamente antes de ser preenchido novamente por uma inundação vinda do Oceano Índico, segundo um estudo da Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah (Kaust), na Arábia Saudita. A pesquisa foi publicada em agosto na revista científica Communications Earth & Environment.
“Nossas descobertas mostram que a bacia do Mar Vermelho registrou um dos eventos ambientais mais extremos da Terra, quando secou por completo e foi subitamente inundada mais uma vez”, afirmou Tihana Pensa, autora principal do estudo. Ela explicou que a inundação posterior “salvou a bacia”, restaurando as condições marinhas e criando uma conexão duradoura com o Oceano Índico.
Secagem e renascimento do Mar Vermelho
Antes de secar, o Mar Vermelho enfrentou uma crise de salinidade: o nível do mar caiu e a concentração de sal aumentou drasticamente, eliminando a vida marinha. Usando dados sísmicos e análises de camadas rochosas, os pesquisadores identificaram sedimentos sobrepostos que indicam períodos distintos de seca e posterior inundação.
A equipe datou o fenômeno analisando os níveis de estrôncio — elemento que varia ao longo do tempo nos oceanos — e a presença de microfósseis. Esses fósseis desapareceram entre 6,2 e 14 milhões de anos atrás, quando o mar estava completamente seco, e voltaram a aparecer após o retorno da água.
A reconexão com o Oceano Índico ocorreu quando as águas ultrapassaram uma barreira de vulcões e montes submarinos no Golfo de Áden, em Omã. Em menos de 100 mil anos, o leito foi totalmente inundado, e a força da água abriu um cânion submarino de 320 quilômetros de extensão, que ainda hoje liga o Mar Vermelho ao Índico.
Importância geológica e ecológica
Formado há cerca de 30 milhões de anos pela separação das placas tectônicas da África e da Arábia, o Mar Vermelho é hoje um laboratório natural para entender o surgimento dos oceanos e a relação entre salinidade, clima e tectonismo.
“Este artigo contribui para o nosso conhecimento sobre os processos que formam e expandem os oceanos na Terra”, destacou o coautor da pesquisa, Abdulkader Al Afifi, professor da Kaust.
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