Por Meio & Mensagem
Conteúdos com pegada motivacional, design impecável e milhares de compartilhamentos têm se tornado comuns nos feeds das redes sociais. Há algum tempo, o mercado digital vê uma proliferação de estúdios e agências de conteúdo independentes que apostam em conteúdos voltados para bem-estar e autocuidado, mas com toques de ativismo e cultura pop.
O movimento é mais visível no Instagram, com a viralização de posts com ilustrações, colagens e mensagens que bebem de referências da psicologia, sociologia e empreendedorismo.
Páginas do gênero se tornaram uma máquina de engajamento para o público millennial e geração Z, e não por acaso conquistam a atenção das marcas.
Um dos cases de sucesso nesse universo é a Obvious Agency, que nasceu em 2015 com a proposta de executar projetos diretamente para marcas. A página no Instagram, que traz conteúdos sobre empoderamento feminino, era para ser apenas um portfólio da agência, mas foi crescendo organicamente até chegar a mais de 460 mil seguidores.
“Tínhamos uma missão que era mudar a publicidade através da nossa linha editorial, e produzir conteúdos com narrativas sobre a felicidade feminina era uma forma de nos posicionar no mercado de moda e beleza”, relembra a publicitária e fundadora Marcela Ceribelli.
Com o sucesso da página, a Obvious passou a se posicionar também como uma revista digital, abordando temas como autoconhecimento, auto-aceitação e liberdade da mulher. Para produzir o conteúdo, a agência conta com uma rede de mulheres parceiras além de sua equipe fixa, incluindo influenciadoras, ilustradoras e designers.
Outro estúdio de criação que cresceu na onda de discussões sobre bem-estar foi a agência Contente, dona das páginas Contente.vc e Instamission – cada uma com pelo menos 60 mil seguidores. Os perfis mesclam artes gráficas com reflexões sobre o uso consciente das redes sociais, o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal e bem-estar digital.
“As redes sociais ocupam grande parte da vida profissional e pessoal das pessoas, mas gostamos de usá-las para questionar o próprio uso da internet. Queremos que aquele tempo que a pessoa passa rolando o Instagram possa gerar alguma reflexão”, conta a jornalista Daniela Arrais, que cofundou a Contente junto à publicitária Luiza Voll.
As postagens da Contente cresceram cerca de 92% em audiência e 113% em interações no período da pandemia, em relação aos meses anteriores.
Inspirar a audiência enquanto defende os direitos das mulheres também é o objetivo do Instituto Free Free, criado em 2019 pela diretora criativa Yasmine Sterea. O Instituto atua como uma plataforma de saúde emocional, autoestima e independência financeira para mulheres.
Embora boa parte do trabalho do instituto seja offline, com eventos, workshops e ações para mulheres em situação de vulnerabilidade, o Free Free vem fortalecendo seu braço de conteúdo digital com conteúdos que desmistificam padrões estéticos, a maternidade, questões de gênero e empreendedorismo. “O papel do Free Free é ressignificar a mulher, porque há o mito da mulher perfeita e que não existe”, diz Yasmine.
Apesar do sucesso estrondoso até agora, a pulverização de páginas “empoderadoras” está no caminho de virar commodity. “O conteúdo sobre autocuidado com artes gráficas e frases já está ficando muito banalizado. É um conteúdo muito belo de se ver, fácil de viralizar, mas que acabou ficando muito parecido”, argumenta Ceribelli, da Obvious.
Para se diferenciar, a Obvious vem apostando em podcasts e webséries proprietárias para aprofundar os temas. Da mesma forma, Free Free e Contente também apostam em lives e vídeos para redes sociais com a participação de especialistas.
BLOG DA JULISKA.
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