Ney Lopes
A tradição das guerras sempre admitiu a possibilidade de um vencedor.
No confronto entre Washington e Teerã, essa hipótese se torna cada vez menos sustentável.
O que se delineia é um quadro de desgaste recíproco, em que cada passo da escalada cobra um preço superior a qualquer vantagem eventual.
É essa a lógica da soma zero levada ao limite: os custos políticos, militares e econômicos da escalada anulam qualquer ganho tático e esvaziam a própria ideia de triunfo.
Ao fim, não se impõe a vitória de um lado, mas o acúmulo de instabilidade, endividamento, luto e destruição.
Os limites da pressão
A estratégia de "pressão máxima" não produziu a capitulação imaginada por seus defensores.
A Guarda Revolucionária permaneceu de pé, e o regime iraniano soube converter a ameaça externa em instrumento de coesão interna.
Para os Estados Unidos, o custo se traduz em recursos, desgaste diplomático e redução de margem estratégica. Mesmo com o avanço aparente é cobrado um preço, que corrói o próprio sentido da vantagem.
O peso da história
Para compreender a gravidade do impasse, é preciso olhar além da Revolução de 1979.
A conduta de Teerã também se apoia numa percepção histórica de continuidade estatal, afirmação regional e resistência a pressões externas. Isso ajuda a explicar por que soluções baseadas na coerção tendem a fracassar: em vez de encerrar o conflito, prolongam-no e ampliam seus custos para todos os envolvidos.
Quando se vê sob pressão, o Irã mobiliza não apenas a retórica revolucionária, mas também um sentimento de afirmação nacional, que torna improvável qualquer rendição obtida por intimidação.
É nesse ponto que as grandes potências costumam incorrer em erro recorrente: confundir superioridade militar com capacidade de produzir obediência política duradoura.
O resultado é a abertura de crises mais longas, mais caras e mais difíceis de controlar.
A falsa ideia de vitória
Mesmo para a maior potência militar do planeta, uma vitória sobre o Irã, se entendida em termos estritamente bélicos, teria utilidade limitada.
O provável seria a abertura de um novo foco de desordem regional, com reflexos sobre o comércio de energia, a estabilidade dos mercados e o equilíbrio estratégico internacional.
Ainda que um dos lados reivindique êxito militar, o saldo seria de deterioração geral, não de solução.
Quando a fumaça baixar sobre o Golfo Pérsico e vier a conta política, econômica e humana da escalada, a pergunta sobre quem venceu perderá sentido.
Em confrontos dessa natureza, perder menos já seria difícil; vencer, propriamente, é uma ficção.
Se o mundo insiste em chamar de triunfo aquilo que apenas redistribui prejuízos, então o nome correto desse desfecho não é vitória.
São cinzas.
Curtinhas
Filme
“56 dias” – série – Prime Vídeo - Quando um corpo não identificado é encontrado num luxuoso apartamento, os detetives reconstroem o romance mortal do casal ao longo dos últimos 56 dias.
Frase
“Sentir saudade é apenas a prova de que o amor foi maior que o tempo." (Homenagem às mães, no seu Dia, lembrando a minha mãe Neuza Lopes de Souza, que partiu para a Eternidade)
Preço combustível
O Estreito de Ormuz é um gargalo. Cerca de 15 a 20 milhões de barris por dia sofrem bloqueios. Qualquer notícia de um novo drone iraniano ou navio americano disparando faz o preço saltar US$ 5,00 em questão de horas.
O que esperar nos próximos dias?
Se o acordo sair, analistas preveem que o petróleo pode recuar para US$ 85,00, o que traria a gasolina no Brasil para baixo de R$ 6,00. Se falhar, poderá ser rompida a barreira dos US$ 150,00, o que empurraria a gasolina para perto de R$ 9,00 nos postos brasileiros.
Cuba
O presidente Lula afirmou que Donald Trump lhe disse que não planeja invadir Cuba.
Amor à Primeira Vista
Lula usou um tom bem-humorado para descrever a relação pessoal com Trump. "Sabe aquela história de amor à primeira vista, aquele negócio da química? Foi isso que aconteceu, e eu espero que continue assim", afirmou.
Últimas da guerra
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã capturou ontem, 9, um petroleiro em uma "operação especial" no Golfo de Omã. O exército dos Estados Unidos desativou dois petroleiros, que tentavam entrar em portos iranianos.
No final da tarde de ontem, 9, o cenário era de uma "calma tensa" nos bastidores. A resposta de Teerã é esperada para qualquer momento, neste final de semana.
No Irã, o dia sagrado e de descanso oficial é na sexta feira. Os bancos, órgãos governamentais e a maioria dos negócios fecham. No domingo, tudo é aberto e as decisões militares são tomadas trabalhando intensamente. Essa “vantagem estratégica” poderá ser usada, enquanto Washington ainda estiver no "café da manhã de domingo".
Portanto, é possível que o Irã use este domingo, 10, para responder à proposta de paz. Eles sabem que, quanto mais o domingo passar sem um acordo, mais o mercado financeiro abrirá em pânico na segunda-feira.
Se a resposta do Irã for negativa, o risco de uma "operação naval total" na segunda-feira, 11, é altíssimo.
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