quarta-feira, 13 de maio de 2026

ANÁLISE: “EL NIÑO” AMEAÇA ESVAZIAR AS TORNEIRAS DO RN EM 2026

 

Ney Lopes

O clima da Terra nunca esteve tão instável.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, vivemos um desequilíbrio sem precedentes, com previsões de que 2026 será um dos anos mais quentes da história humana.

No epicentro dessa crise, o Rio Grande do Norte volta a enfrentar o  seu maior temor: o fantasma da seca. Sob o monitoramento rigoroso do INPE e os alertas da EMPARN, o estado prepara-se para ser uma das principais vítimas do avanço implacável do El Niño.

Ao provocar o aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico, este gigante climático altera a circulação atmosférica global, criando uma barreira de alta pressão sobre o Nordeste brasileiro.

No território potiguar, o efeito é devastador: o El Niño “expulsa” a umidade e inibe a formação das nuvens de chuva, que deveriam abastecer nossos reservatórios e campos.

O resultado é um efeito dominó, onde o aumento das temperaturas globais potencializa a evaporação, ameaça o consumo humano e estrangula a produtividade do nosso agronegócio.

O que se projeta para o segundo semestre de 2026 é um cenário de liberação de energia do El Niño, criando um forno a céu aberto sobre o território potiguar.

Coração do Estado sob ameaça

Quando olhamos para os nossos reservatórios, as previsões são de que a  Barragem Armando Ribeiro Gonçalves enfrente um duplo ataque.

De um lado, a falta de recarga nas cabeceiras do Rio Piranhas-Açu; do outro uma seca invisível, onde o calor de mais de 40°C faz a água evaporar antes mesmo de chegar às torneiras.

Para o cidadão, significa que a água da Armando Ribeiro está sumindo no ar, o que fatalmente levará ao risco de racionamento na cidade.

Já o Itans,  corre o risco real de atingir o volume morto ainda este ano. Caicó passará a depender quase exclusivamente da Adutora da Serra de Santana ou de sistemas emergenciais, pois o Itans terá dificuldade em manter o abastecimento humano.

A prioridade de abastecimento gera conflito inevitável: de um lado, as torneiras das casas; do outro, a luta para saciar a sede do rebanho, que é a base da economia de subsistência de milhares de famílias.

O RN precisa de uma agenda, que priorize a ciência e o campo.

O tempo da retórica esgotou-se; a segurança alimentar e a força da nossa economia exigem que se decida blindar o nosso futuro, plantando hoje a gestão, que garantirá a colheita de amanhã.

Sem as chuvas para recarregar os mananciais, o ciclo da sede se fecha, transformando a crise climática em uma ameaça real e imediata à água que chega às torneiras de cada potiguar.

Curtinhas

Filme

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