segunda-feira, 6 de abril de 2026

Patrimônio de Alexandre de Moraes triplicou em cinco anos



                                                 Créditos: Andressa Anholete/STF

 O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, ampliaram significativamente o patrimônio imobiliário nos últimos anos. Desde 2017, quando Moraes assumiu uma cadeira na Corte, o valor dos bens cresceu 266%. Atualmente, o casal possui 17 imóveis avaliados em R$ 31,5 milhões.

Nos últimos cinco anos, foram investidos R$ 23,4 milhões na aquisição de imóveis em Brasília e São Paulo, todos pagos à vista, conforme registros em cartório obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo. Procurados desde o fim de março, Moraes e Viviane não se manifestaram sobre os dados.

O patrimônio atual mais do que triplica os R$ 8,6 milhões declarados à época da nomeação do ministro, quando o casal possuía 12 imóveis. Os valores consideram os preços nominais pagos na compra de casas, apartamentos, terrenos e salas comerciais.

A renda de Moraes teve crescimento menor no período. Antes de chegar ao STF, ele recebia cerca de R$ 33 mil mensais; hoje, o salário é de aproximadamente R$ 46 mil, alta de 39%. Ao longo da carreira, também ocupou cargos com remuneração próxima ao teto do funcionalismo. Já Viviane é sócia-administradora do escritório Barci de Moraes Advogados, que mantém com os filhos do casal.

Levantamento do jornal aponta ainda aumento na atuação profissional da advogada em tribunais superiores. O número de processos sob sua responsabilidade no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) passou de 27 para 152 desde que Moraes ingressou na Corte.

Os dados sobre o patrimônio foram reunidos a partir de matrículas de imóveis em cartórios de São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. Ao todo, o casal adquiriu 27 imóveis ao longo de 29 anos, com desembolso de R$ 34,8 milhões. Parte desses bens foi posteriormente vendida, o que explica a diferença em relação ao patrimônio atual.

A maior expansão ocorreu após 2021, período em que Moraes já atuava como relator de investigações de grande repercussão, como o inquérito das fake news. Desde então, os investimentos imobiliários representam mais de dois terços do total aplicado pela família no setor ao longo de quase três décadas.

Grande parte das aquisições foi realizada por meio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, empresa da família usada para administração patrimonial. A sociedade tem como sócios Viviane e os filhos, embora Moraes não figure formalmente no quadro societário. Como o casamento é regido por comunhão parcial de bens, os imóveis adquiridos integram o patrimônio comum.

Entre as compras recentes está um apartamento de 86 metros quadrados no bairro Jardim Paulista, em São Paulo, adquirido por R$ 1,05 milhão. O pagamento incluiu sinal e transferência bancária do valor restante. Outro destaque é uma casa de alto padrão no Lago Sul, em Brasília, comprada por R$ 12 milhões, também com pagamento à vista.

O casal também adquiriu um imóvel em Campos do Jordão, que se soma a outro já existente no mesmo condomínio. Juntas, as unidades totalizam 727 metros quadrados e foram avaliadas em R$ 8 milhões. Em São Paulo, a família mantém ainda sete imóveis, incluindo dois apartamentos no Jardim América, comprados por R$ 3 milhões cada.

A expansão patrimonial coincide com o crescimento das atividades do escritório Barci de Moraes Advogados. Em 2025, a banca adquiriu uma sala comercial em Brasília por R$ 350 mil, como parte da ampliação da atuação na capital federal. O escritório também possui participação em imóvel na Avenida Faria Lima, em São Paulo.

A atuação da banca ganhou repercussão após a divulgação de contrato com o Banco Master, no valor de R$ 129 milhões por três anos. Segundo a defesa, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 foram prestados serviços jurídicos nas áreas de compliance e direito criminal, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões.

Especialistas ouvidos pelo jornal avaliaram que esse tipo de serviço, em grandes escritórios, não costuma ultrapassar R$ 10 milhões no total. Ao longo de 21 meses, o faturamento com o banco teria alcançado ao menos R$ 75,6 milhões.

Parte das transações imobiliárias da família envolveu profissionais com atuação no STF. Em um caso, o casal vendeu um imóvel no Guarujá por R$ 1,4 milhão a compradores ligados à área jurídica. Um dos envolvidos afirmou: “Não tenho relação com ele, nunca o conheci. Comprei o apartamento de uma pessoa jurídica que não pertence a ele”.

Outro imóvel, utilizado pelo escritório de Viviane em Brasília, foi adquirido de uma advogada que atua na Corte, mas sem processos sob relatoria de Moraes.

Evolução do patrimônio imobiliário

2017 (entrada no STF):
Patrimônio: R$ 8,6 milhões
Total: 12 imóveis

2021–2025 (pico de aquisições):
Investimentos: R$ 23,4 milhões
Total histórico: 27 imóveis adquiridos (parte já vendida)

2026 (situação atual):
Patrimônio: R$ 31,5 milhões
Total: 17 imóveis

Principais aquisições recentes:
Mansão em Brasília (2025): R$ 12 milhões
2 apartamentos em São Paulo (2021): R$ 3 milhões cada
Apartamento em Campos do Jordão (2025): R$ 4 milhões
Apartamento em São Paulo (2026): R$ 1,05 milhão

Fonte: Agora RN

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