Ney Lopes
O RN caminha para a eleição mais difícil e importante da história recente.
Iniciou-se a contagem regressiva, a partir da definição de candidatos ao governo do estado: Allyson Bezerra, Álvaro Dias e Carlos Eduardo Xavier (Cadu).
Algumas questões merecem análises e prognósticos.
Observe-se que, diante da gravidade dos nossos problemas estruturais, a eleição exigirá a como nunca a participação direta do cidadão potiguar.
É possível prever, que uma fatia razoável do eleitorado (em torno de 30%) valorize propostas, ideias e metas dos candidatos, apresentadas em linguagem popular. Isso acende o “alerta”, para que na composição das chapas, além do critério eleitoral (dispor de votos), seja levada em conta a “credibilidade” e o “conceito” dos indicados majoritários (vice governador, senador, suplentes).
Desde que mobilizada essa parcela minoritária da população, poderá decidir a eleição, contrariando a lógica da visão unilateral de acreditar em “puxadores de votos”, que regra geral falham.
Quadro econômico, social e político do RN
O RN enfrenta uma máquina pública engessada por gastos fixos, o que compromete a manutenção de serviços básicos e a atração de novas empresas, além de déficit real nas contas, que pode atingir R$ 4 bilhões.
Embora a arrecadação de impostos tenha registrado recordes no início de janeiro de 2026, as projeções são de déficits orçamentários, altos passivos previdenciários e restrições fiscais severas impostas pela União, em troca de autorização para empréstimos.
Apesar da crise fiscal, o estado possui a menor proporção de população pobre do Nordeste, segundo o IBGE e tem o maior tempo médio de estudo da região (9,6 anos) e uma taxa de analfabetismo de 10,4% (abaixo da média regional de 11,1%).
O PIB estadual teve um crescimento de 4,2% em 2023, o maior no Nordeste, impulsionado pela indústria extrativa e energia eólica.
Percebe-se uma discrepância entre os índices de crescimento econômico e a saúde financeira do Tesouro estadual.
Há espaço para o crescimento econômico e social.
Proposta: “pacto de governabilidade”
Diante dessa realidade, a eleição de outubro será um teste para demonstração da capacidade de luta da população potiguar.
O quadro nacional é de polarização político-eleitoral entre Lula e o bolsonarismo.
Sem negar essa influência, espera-se que o estado siga a sua histórica tradição de lutas, lembrando a adesão potiguar a Confederação do Equador (1824), o movimento revolucionário contra o autoritarismo de Dom Pedro I; o abolicionismo em Mossoró (1883); resistência ao cangaço, também em Mossoró (1927); intentona em 1935; voto feminino, o primeiro do Brasil.
A proposta do “pacto de governabilidade” insere-se na vocação de pioneirismo do estado em participar de movimentos que repercutiram em todo o país.
Tem como objetivo alcançar um consenso entre os candidatos ao governo do estado, para a predefinição de objetivos e metas comuns, visando atingi-los no período de 2007/2010.
Em resumo: propor a radicalização com um futuro de mais empregos e mais oportunidades.
Funcionamento do “pacto”?
Poderá envolver os poderes constituídos; empresa privada e entidades; sociedade civil representada pelas Igrejas, ONG´s, clubes de serviço; sindicatos de trabalhadores; juventude; categorias sociais representativas; cidadão...
Os principais objetivos seriam a aprovação de políticas públicas suprapartidárias, do interesse comum do Estado, a exemplo da experiência do grupo político “Consertacíon” do Chile; modernização de métodos e práticas administrativas; definição de uma administração pública por “objetivos”, a partir da obrigação de cada setor do Governo elaborar BALANÇOS anuais para apurar o que foi alcançado e projetar as novas metas, com divulgação pública, inclusive na Internet.
Introdução do “recall”, ou, sistema de avaliação permanente da qualidade e eficiência das ações e serviços do Governo, diretamente vinculado ao Gabinete do Governador. Isto significa aproximar o cidadão do governante
A avaliação poderá através de técnicas de pesquisa social e/ou uso da Internet.
Assegurar total transparência as ações do Governo.
Privatizar o social – Divisão responsabilidades com o Estado
Um tema absolutamente necessário é a forma de ação social do Estado, ou seja, a divisão em ações sociais de políticas públicas com entidades idôneas, de caráter religioso, filantrópico, maçonaria, clubes de serviço, ONG’s, OCIPS, Sindicatos etc...
Funcionaria um sistema de fiscalização e avaliação permanente de tais parcerias, inclusive com prêmios à eficiência e alcance das metas.
Dentro da “administração por objetivos” algumas tarefas previstas na METAS seriam de responsabilidade de tais entidades, em sistema de parceria.
Evitaria investimentos fixos em imóveis, equipamentos etc...(Prossegue na edição de domingo, 25)
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